A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/07/2024

Para a pensadora Hannah Arendt, “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Todavia, o panorama nacional refuta a tese formulada por Arendt, haja vista a escassez do direito à educação financeira na vida dos cidadãos brasileiros. Esse lamentável problema social é calcado na inércia estatal e também na lacuna educacional.

Diante desse cenário, é lícito postular a omissão governamental como cristalizadora da questão. A partir disso, Gilberto Dimenstein, expoente escritor brasileiro, em sua obra “Cidadão de Papel”, faz críticas aos direitos legislativos que permanecem apenas no papel teórico. Sob esse viés, tal livro pode ser associada ao cenário contemporâneo, uma vez que o Estado não oferece suporte necessário, como, por exemplo, investimentos adequados ao ensino fiscal, para que os estudantes possam usufruir de uma infraestrutura formativa qualificada e adquirir competências essenciais. Consequentemente, esse quadro impossibilita futuramente a construção de sujeitos capazes de administrar suas finanças pessoais. Assim, enquanto a incúria estatal for regra, a aprendizagem será ínfima.

Ademais, é crucial destacar a falha pedagógica como mantenedora do impasse. Nesse contexto, fundamenta-se a lógica do filósofo Immanuel Kant de que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, ou seja, a ausência de conhecimento acerca do uso financeiro de forma adequada compromete a formação do cidadão brasileiro. Tal situação ocorre, pois muitas pessoas desconhecem os riscos do mau manuseamento do dinheiro, tornando-se vulneráveis ao endividamento precoce e excessivo. Dessa forma, torna-se vital a reconfiguração do sistema pedagógico, a fim de eliminar esse nefasto quadro.

Portanto, medidas são necessárias para metamorfosear esse nefasto prisma social. Para isso, cabe ao governo - pilar da pátria - criar leis e projetos, por meio de campanhas, palestras e alocação de verbas, visando distribuir recursos (professores, instalações, materiais didáticos etc.) e reestruturar o currículo escolar, para, assim, encaixar a aprendizagem monetária nas escolas, acabando, enfim, com as dívidas e a má gestão de capital. Desse modo, a ótica de Arendt sobre os benefícios humanos estará sendo inserida na realidade do Brasil.