A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/07/2024
Para a pensadora Hannah Arendt, “A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Todavia, o panorama nacional refuta a tese formulada por Arendt, haja vista a escassez do direito à educação financeira na vida dos cidadãos brasileiros. De fato, esse lamentável entrave social é calcado na inércia estatal e também na ausência legislativa.
Diante desse cenário, é lícito postular a omissão estatal como cristalizadora do impasse. A partir disso, para o filósofo polonês Zygmunt Bauman, uma instituição que permanece intacta estruturalmente, mas não cumprir com sua função original é considerada uma “Instituição Zumbi”. Sob esse viés, o Estado brasileiro é análogo a esse conceito, visto que, no que tange o investimento e qualificação dessa aprendizagem fiscal, ele é ausente. Isso posto, tal postura negligente contribui para que os cidadãos - especialmente os estudantes - não recebam o amparo estatal necessário, colocando em risco seu desenvolvimento profissional, pessoal e financeiro. Assim, enquanto o descaso estatal for regra, o ensino será ínfima.
Outrossim, a ausência de uma legislação que abrace a causa ameaça diretamente a educação monetária. Nessa ótica, Gilberto Dimenstein – expoente jornalista nacional - em seu livro “Cidadão de Papel”, apresenta um contexto social em que as garantias constitucionais estão restritas apenas no papel teórico. Diante disso, os indivíduos que deveriam usufruir do ensino monetário podem ser considerados de papel, tendo em vista a não eficiência das leis e projetos que garantem essa pedagogia nas escolas. Desse modo, ao invés de promover a importância e a implementação desse tema, tais determinações falhas contribuem para a manutenção do sentimento de invisibilidade e desigualdade social.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse quadro social. Para isso, o governo - órgão de maior poder político da nação - deve criar normas e projetos voltados para as instalações dessa pedagogia nas escolas do Brasil. Essa ação será viabilizada por meio de campanhas, palestras e alocações de verbas, a fim de garantir os privilégios educacionais e conscientizar a importância desse assunto. Desse modo, a tese de Arendt está sendo materializada na realidade.