A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/07/2024
Para a pensadora Hannah Arendt: “A essência dos Direitos Humanos é o direito de ter direitos”. Todavia, a realidade de milhões de mulheres no Brasil refuta a tese formulada por Arendt, haja vista os desafios enfrentados por elas para combater a invisibilidade de seu trabalho de cuidado. De fato, esse panorama nacional é fundamentado no descaso estatal e na ausência legislativa.
Sob esse viés, é lícito postular a inércia estatal como cristalizadora da questão. A partir disso, para o filósofo Zygmunt Bauman, uma instituição, quando posicionada para ignorar sua função original, é considerada uma “Instituição Zumbi”. Nesse sentido, o Estado brasileiro é análogo ao conceito proposto por Bauman, uma vez que ele falha em garantir, plenamente, a essas mulheres um ambiente trabalhista digno, mesmo sendo este previsto na Carta Magna — norma de maior hierarquia jurídica do país. Isto posto, tal postura negligente contribui para a manutenção do sentimento de invisibilidade sofrido por esses cidadãos. Assim, enquanto a incúria estatal for regra, o reconhecimento feminino será ínfimo.
Outrossim, a carência de leis que abrace a causa ameaça — diretamente — esses indivíduos. Nessa ótica, Gilberto Dimenstein — expoente escritor brasileiro — em sua obra “Cidadão de Papel”, faz críticas aos direitos constitucionais, que se fazem restritos apenas no plano teórico. Diante disso, as mulheres que exercem o trabalho de cuidado (babás, empregadas domésticas etc.) podem ser consideradas de papel, pois as leis e os projetos trabalhistas que deveriam garantir seus direitos se mostram ineficazes na prática. Consequentemente, tal lacuna legislativa contribui para que essas trabalhadoras enfrentem dificuldades, no que diz respeito ao acesso a benefícios essenciais, como remuneração adequada, valorização profissional e condições dignas de trabalho. Logo, é vital a mudança desse cenário, para que esses cidadãos superem esses desafios sociais.
Portanto, cabe ao governo — pilar administrativo da nação — criar normas e programas que assegurem os privilégios desses indivíduos. Isso ocorrerá por meio de campanhas midiáticas, palestras e alocações de verbas públicas. Essas ações terão como finalidade remover essas trabalhadoras do seu status de invisibilidade e promover um ambiente profissional seguro e justo.