A importância da educação prisional no Brasil

Enviada em 24/04/2022

Na série ‘‘Todo mundo odeia o Chris’’, o personagem Malcon tenta se formar no colégio após ter saído da prisão. No entanto, encontra dificuldades por ser ex-presidiário, e então volta a cometer furtos e retorna para a cadeia. No cenário brasileiro atual, essa é a realidade de muitos, uma vez que o sistema carcerário encontra-se em crise e não há a expectativa de fornecer educação de qualidade aos presos. Assim, as estruturas precárias das celas e a falha no sistema fazem com que a educação prisional seja negligenciada.

Nessa perspectiva, as penitenciárias não são um ambientes favoráveis para o ensino. Sob essa ótica, o filme ‘‘Carandiru’’, de Héctor Babenco, retrata a realidade da Casa de Detenção de São Paulo, com péssimas condições de higiene e celas superlotadas. Dessa forma, ao ser preso, o indivíduo encontra um lugar que o desumaniza, uma vez que não fornece os cuidados básicos para a sua saúde. Logo, esse fato reforça que as prisões são locais hostis para o aprendizado.

Além disso, o sistema penitenciário falido faz com que não haja a esperança de reinserção na sociedade após o cumprimento da pena. Nesse contexto, o filósofo francês Michel Foucault, em sua obra ‘‘Vigiar e punir’’, discute que as prisões não deveriam ser espaços apenas de punição, mas também de ressocialização. Desse modo, fica claro que um sistema educacional dentro das penitenciárias contribuiria para a uma vida digna quando o indivíduo adquirisse liberdade e voltar a cometer crimes não seria uma opção.

Portanto, fica evidente que a estrutura física e a falha na instituição carcerária dificultam a inserção do ensino dentro das cadeias. Com isso, é dever do Governo Federal, órgão responsável pelo bem-estar da sociedade, investir uma quantia maior de verbas para melhorias nas condições físicas das penitenciárias. Ademais, também é dever do Governo Federal promover uma reforma no sistema prisional por meio da implantação de um sistema educacional de forma a capacitar os presos para que possam ter um empego após o cumprimento da pena. Só assim a realidade dos ex-presidiários não será igual à do Malcon e poderão viver com qualidade.