A importância da educação prisional no Brasil
Enviada em 12/07/2022
No século XIX, o escritor e jornalista Machado de Assis em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizavam essa nação. No contexto hodierno, o povo brasileiro permanece com o mesmo comportamento egocêntrico, que pode ser subentendido no tema sobre a importância da educação prisional no Brasil. Por isso, faz-se necessário o debate em dois pontos: o educar para reintegração social do presidiário e o corpo social como inibidor de sua execução eficiente.
A princípio, é imprescindível entender que a capacitação intelectual do detento determina a sua reintegração social. Isso acontece pois, para a inclusão ocorrer é preciso que o sujeito em questão entenda o seu papel na comunidade interiorizando os valores da sociedade na qual ele vive. Nessa perspectiva, com base nos estudos do sociólogo francês Émile Durkheim, percebe-se que o mecanismo a ser usado para tal finalidade é a educação. Um exemplo disso, é o sistema educacional carcerário eficiente da Noruega que resulta numa baixa reincidência criminal.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que o pensamento de alta rejeição à volta do encarcerado é um fator limitante para a ressocialização ser executada. Essa questão está diretamente associada à mídia sobre casos de crime, no qual o jornalista aliena a sociedade a pensar que o criminoso é um ser merecedor de ódio contínuo. Prova disso, é a pesquisa do Instituto Datafolha sobre “bandido bom é bandido morto” com aproximadamente 60% de concordância, caracterizando assim, a população brasileira como individualista e sem empatia.
Portanto, é evidente que o debate acerca da educação prisional é indispensável para a construção de uma nação menos egocêntrica. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério das comunicações deve intervir na mídia por meio de mudança na forma negativa expressa sobre o criminoso para um viés positivo realista afim de que ele passe pelo processo de socialização sem temer a sua exclusão do meio social. Feito isso, a sociedade brasileira reverterá o caráter do homem egoísta tão criticado pelo Machado de Assis.