A importância da educação prisional no Brasil
Enviada em 29/05/2022
O massacre do Carandiru, chacina que aconteceu no presídio da cidade de São Paulo, foi um alerta e uma denúncia para a sociedade brasileira acerca da real situação que se encontrava o sistema penitenciário do Brasil. A morte de 111 detentos levantou revolta e questionamento sobre a real efetividade de se manter alguém preso em um ambiente que, mais estimula a violência do que reabilita o indivíduo para a sociedade. Dessa forma, ficou evidente que apenas a educação poderia resgatar a dignidade do detento e reestruturar um sistema carcerário corrompido.
Em primeiro lugar, de acordo com Nelson Mandela “A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”. Do mesmo modo, quando falamos sobre as cadeias brasileiras, é nítido como apenas o acesso mais básico à educação já transformaria os parâmetros do cárcere. Isso acontece porque, através do acesso ao ensino básico e, até mesmo o superior, o detento tem sua situação social mudada e um leque maior de opões e oportunidades para a sua vida, sendo possível que suas intenções se desviem do crime e foquem em uma vida civil na legalidade.
Ademais, a educação não apenas reabilita o indivíduo, como também o sistema em si. Isso ocorre devido a corrupção e o crime organizado criarem um sistema aparte dentro dos presídios, com suas próprias normas e punições e, ao ingressar na cadeia, o detento não encontra outra opção a não ser se filiar a organizações criminosas, o que potencializa e perpetua sua atuação no mundo do crime, assim como é narrado no álbum “sobrevivendo ao inferno” dos Racionais. Então, quando a educação oferece margem para que o indivíduo idealize outro tipo de vida, começa a reestruturação do sistema.
Portanto, para que haja uma aplicação efetiva do ensino no sistema carcerário, urge que o governo federal, especificamente o ministério da educação, crie uma estrutura melhor de aprendizagem, através de investimentos em insumos e na contratação de profissionais para que o ensino seja uma prioridade dentro dos presídios. Logo, será possível que a educação seja reconhecida como um direito do detento e massacres como o Carandiru se distanciem da realidade do país.