A importância da educação prisional no Brasil
Enviada em 15/05/2022
Na obra “Memórias do Cárcere” Graciliano Ramos relata as terríveis condições e maus tratos que o sistema carcerário brasileiro submetia seus detentos, o que dificultava o processo de reincerção desses indivíduos na sociedade, pois não havia melhores perspectivas de vida para eles. Sob tal óptica, a educação prisional brasileira possui importante papel no que tange a melhoria nas condições de vida durante o processo de reclusão e durante sua reinserção à sociedade, melhorando sua autonomia através da aprendizagem, possibilitando o resgate social.
A princípio, é interessante ressaltar que a melhoria nas condições de vida, durante o processo de reclusão, através de incentivo a educação, vai exercer papel de reabilitação nos presos, ajudando-os a reconstruir seus princípios éticos. Tal premissa está de acordo com o livro “O Mundo Como Vontade e Representação” de A. Schopenhauer, que relata que o campo de visão das pessoas determina sua interpretação sobre o mundo que a cerca. Dessa forma, se esses indivíduos tem contato com pessoas de boa índole que lhe incentivarão a serem boas pessoas, o processo de reabilitação ocorrerá de forma mais orgânica.
Além disso, cabe pontuar que, a melhora da autonomia dos detentos após sua reclusão é aprimorada através dos estudos, pois de acordo com a DEPEN cerca de 75% dos presos são analfabetos. Diante disso, existe uma lacuna de oportunidades de trabalho para esse público, que exige especialização, tal fato aliado ao estigma de ex detento dificulta o ingresso ao mercado de trabalho, influindo em seu retorno à criminalidade. A atual conjuntura pode ser melhorada por meio da especialização dessas pessoas e quebra desse paradigma de ex detento.
Destarte, a fim de que haja melhoria nas condições de vida durante o cárcere, possibilitando regeração dessas pessoas, é importante que o Ministério da Educação convoque profissionais como psicólogos, professores, para palestrar e efetuar oficinas a respeito de ética e educação, os fazendo refletir sobre suas ações. Além disso, para que haja o resgate social, urge que o Ministério da Justiça possibilite que a educação carcerária seja unificada e profissionalizante, assim os ex detentos consiguirão uma reincerção ao mercado de trabalho e o episódios de maus tratos figurarão apenas no passado como relatado por Graciliano Ramos.