A importância da educação prisional no Brasil

Enviada em 14/10/2022

Segundo o filósofo Paulo Freire, estudar é o fator mais relevante para o bom funcionamento da sociedade. Porém, no que tange ao cenário brasileiro, a importância da educação prisional é, muitas vezes, negligenciada, fazendo o pensamento citado anteriormente não ser consolidado. Assim, é evidente que tal descaso é um problema, visto que o aprendizado acadêmico é imprescindível para que os detentos mudem de vida após o tempo de cárcere e para que tenham sucesso no processo de ressocialização.

Sob essa ótica, em primeira análise, consta na pesquisa “Reincidência no Crime” que a maioria dos detentos sem escolaridade, ao deixar a prisão, retornam à vida do crime. Dessa forma, esse dado reforça o impacto positivo que o aprendizado acadêmico tem nessas pessoas, uma vez que os escolarizados apresentaram uma taxa menor de retorno ao mundo ilegal. Logo, a partir do momento que o direito ao estudo não é garantido a esse grupo, a falha do sistema carcerário brasileiro se faz clara por excluir esses indivíduos da sociedade, mas não os instruir a seguir outro caminho melhor após o cumprimento penal.

Ademais, outro fator que mostra a importância da educação prisional nas terras brasileiras é a necessidade da reinserção social dos prisioneiros, de modo a proporcionar uma vida honesta à tais componentes da comunidade. Mas observa-se no gráfico “Ressocialização” realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que apenas 12% dos encarcerados de todo o país estudam devido à falta de recursos e de investimento Desse modo, a urgência de expandir essa porcentagem é gritante para diminuir o crime.

Infere-se, portanto, que o Estado deve aderir a providências catalisadoras, a fim de solucionar a problemática da vida pós cadeia e valorizar a educação. Para isso, o Ministério da Educação, com os presídios, deve implementar cursos técnicos em tais estabelecimentos e deve incentivar a participação dos presos nessa iniciativa. Esses cursos teriam o intuito de preparar essas pessoas para voltar à sociedade de forma contribuinte e seriam ministrados por professores das redes públicas de ensino. Por fim, seria possível, através dessa medida, alcançar o bom funcionamento social da nação previsto por Paulo Freire.