A importância da educação prisional no Brasil

Enviada em 16/07/2024

Na contemporaineidade, o paradigma hobbeniano, que previa a punição pura co-mo resposta ao crime, foi sobreposto pelo ideal de reintegração através da educa-ção. Em contrapartida, no Brasil, nota-se que a antiga superestrutura ainda projeta suas influencias sobre a hodierna, o que pertuba a importante formação prisional. Dito isso, faz-se pertinente averiguar essas remanescências: a estigmatização dos presos e a hierarquização do sistema educacional das cadeias.

Diante desse cenário, firma-se o nexo causal entre a problemática em questão e o estigma social dos detentos. A respeito disso, sabe-se, graças ao desnudamento das interações sociais feita por Durkheim, que ronda sobre as pessoas um espectro que as destaca das demais, o qual restringe as suas ações. Analogamente, posto a ótica na realidade, vê-se que a sociedade brasileira apregoa a imagem de que os prisioneiros não ambicionam a aprendizagem, projeção que penetra e manipula a própria cognição desses indivíduos. Logo, conclui-se que esse imaginário sobre esse coletivo age como um espectro que desestimula o estudo.

Ademais, ressalta-se que o método tradicional de ensino se fortalece nas prisões. Em referência a isso, de acordo com Paulo Freire, esse modelo baseia-se na hierar-quia, onde o docente encontra-se em um patamar acima dos alunos. Para o pensa-dor, porém, essa dinâmica é inferior ao diálogo entre os entes, que tem o tutor co-mo participante e, ao mesmo tempo, orientador. Entretanto, contrariando a forma ideal de tutela, percebe-se que o contexto prisional impulsiona a metodologia re-trógada, uma vez que esse ambiente é forjado pela divisão entre vigias e vigiados. Consequentemente, perde-se a igualdade comunicativa proposta por Freire.

Em suma, é indubitável dizer que esses entraves prejudicam a importante instru-ção prisional. Nesse raciocínio, cabe a mídia nacional, responsável por fomentar o pensamento do corpo social, desvincular a figura do preso à repulsa ao estudo, por meio de documentários veiculados em canais abertos, a fim de remover o estigma supracitado. Além disso, é dever dos sistemas de detenção reelaborar a comunica-ção entre os funcionários e os detidos, por intermédio do planejamento sociopeda-gógico, com o intuito de atenuar o distanciamento hierárquico e, desse modo, facilitar o diálogo freiriano. Assim, atenuar-se-á a crise em discussão.