A importância da família no combate à homofobia

Enviada em 13/03/2025

O longa-metragem “Boy Erased”, lançado em 2018, é um drama de origem estadunidense que acompanha a vida de Jared, um filho de pais religiosos e conservadores, que é forçado a passar por uma terapia de reorientação sexual sob ameaças de ser expulso de casa, da igreja e do contato com sua comunidade e amigos caso decida seguir com sua “degeneração”. Seja por fatores religiosos ou por preconceitos sociais, a realidade de muitos jovens que se descobrem homossexuais é marcada por rejeições e descriminações, sendo a principal delas a rejeição familiar.

Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura de São Paulo, constatou que 63% dos jovens de 18 a 25 anos, relatam sentir rejeição total ou parcial dos familiares após terem revelado sua orientação e apenas 59% revelam sua orientação sexual para a família.

A homofobia apesar de ser tipificada como crime pela legislação brasileira segue como um dos maiores males da nação, sendo o Brasil o país que mais mata pessoas trans no mundo. Só em 2024, o relatório anual da Organização Grupo Gay da Bahia, apontou que o Brasil registrou um número de 291 mortes violentas contra vítimas pertecentes à comunidade LGBTQIA+.

Quando uma pessoa é expulsa de casa por sua orientação sexual, ela é introduzida em uma espiral de violências, sendo a violência psicológica oriunda da rejeição dos pais uma das mais brutais. A família desempenha um papel essencial na formação e na vida de qualquer pessoa, pois é o primeiro laço de todo indivíduo, é onde se aprende a viver, é onde tecnicamente se encontra afago e proteção.

No combate à homofobia, faz-se necessária uma verdadeira rede de apoio, legal, social e especialmente familiar. Para tal, é importante que o governo se dedique a compartilhar informativos e pesquisas em veículos públicos sobre os números da homofobia no Brasil, alertando sobre as consequências do ato de abandono por parte da família. No caso dos menores de idade, as autoridades devem agir para responsabilizar os pais em caso de negligência abandono, nas formas previstas em lei, por ser preconizada pela CFRB/88 e pelo ECA, a proteção integral do menor. Com iniciativas concretas e potentes, menos jovens terão suas verdades anuladas.