A importância da família no combate à homofobia
Enviada em 23/04/2025
A comunidade LGBT+ — lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e demais identi-dades — é vítima de violência desde a origem da sociedade brasileira. Por exemplo, nas décadas de 1960 a 1980, pessoas LGBT+ eram consideradas doentes e foram tratadas de forma desumana no manicômio de Barbacena, em Minas Gerais, como é exposto no documentário “Holocausto brasileiro”. Dessa forma, diante de uma sociedade homofóbica e hostil, cabe à família o papel de oferecer apoio emocional, acolher e agir em prol do bem-estar dos parentes.
Diante desse cenário, apesar de indiscutível a importância da família no comba-te à homofobia, na realidade brasileira, o grupo que deveria ser o principal aliado, muitas vezes, torna-se o principal agressor. Em virtude do conservadorismo estru-tural da cultura brasileira, que estigmatiza e repudia aquele que é diferente, os pró-prios familiares rejeitam e discriminam seus parentes, causando grande impacto e-mocional e psicológico nos membros dessa minoria. Nessa conjuntura, o detrimen-to da saúde mental do indivíduo pode levar a um “suicídio egoísta” que, sob a ótica do sociólogo Émile Durkheim, é motivado pela falta do senso de pertencimento da pessoa ao seu contexto social.
Além disso, não é incomum que genitores expulsem os filhos LGBT+ de seus la-res. Por conseguinte, as vítimas ficam expostas à falta de moradia e ao desempre-go. Nesse contexto, muitos membros da comunidade recorrem ao crime ou à pros-tituição como fonte de renda. Exemplo disso é a história da deputada federal Érika Hilton que, em sua adolescência, foi expulsa de casa por assumir-se uma mulher transexual e recorreu à prostituição. Após o arrependimento da mãe, Érika retor-nou para casa, concluiu o ensino médio e superior e posteriormente foi eleita.
Por isso, mostra-se necessário que o Ministério dos Direitos Humanos e Cidada-nia, em parceria com a Secretaria Nacional de Cuidados e Família, eduque as famí-lias acerca do seu papel no combate à homofobia e das consequências de quando esse papel não é cumprido, a exemplo da biografia da deputada Érika Hilton. Para que assim, por intermédio de campanhas publicitárias e palestras nos bairros, seja alcançado o objetivo de minimizar o preconceito intrafamiliar e garantir a cidadania e o bem-estar dos membros da comunidade LGBT+.