A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 23/10/2019

O filósofo francês Émille Durkheim defende que as instituições são essenciais na constituição social do sujeito por meio de um processo que o mesmo chamou de socialização. Desse contexto, emerge uma discussão acerca dos papeis das diferentes instituições, destacando-se a familiar, no que se refere à formação educacional e desenvolvimento das habilidades intelectuais, cognitivas e humanas, bem como seus reflexos no jovem e na sociedade. Nesse sentido, torna-se vital incentivar um equilíbrio saudável entre o corpo familiar e as demais estruturas educadoras, seja para assegurar os benefícios de tal associação, seja para evitar possíveis danos causados pelo exclusivismo familiar.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar o papel de transformação social que a educação mediada pela família pode proporcionar. Para elucidar essa questão, é válido trazer o pensamento do filósofo David Hume, o qual defende que todo aquele que retirar barreiras e obstáculos da vida do saber e da ciência, ou abrir outra perspectiva deve ser considerado um benfeitor da humanidade. A partir disso, observa-se essa benfeitoria por parte da família na medida em que ela é capaz de aliar os conhecimentos teóricos a contextos práticos a partir de fatores como convivência,  interação e questionamento, comum entre crianças e suas famílias. Desse modo, confere-se a família um papel de ímpar de ressignificação e aplicação do conhecimento dentro da educação dos jovens.

Já em relação ao segundo ponto, é pertinente ressaltar que não se deve optar por uma formação exclusivamente familiar, visto que isso causaria danos relacionais e interacionais. Acerca disso, o sociólogo Zygmunt Bauman propões que quanto mais tempo as pessoas passam com suas “iguais” de modo casual e superficial, maior a perda de habilidades de conciliação, negociação e compreensão do “outro”. Mediante isso, infere-se que optar por uma educação exclusivamente familiar impede a construção de habilidades sociais inerentes à vivência em coletividade, sedo necessário o intermédio de outras instituições para complementar esse processo, como a escola. Assim, a família, apesar de relevante, ainda é incapaz de conferir todos os atributos necessários à uma educação completa.

Defronte ao apresentado, cabe a reflexão acerca de medidas eficazes para ampliar o potencial transformador da família de modo equilibrado e harmônico. A respeito disso, os Congressos Nacionais, por serem os órgãos habilitados em criar normas e deliberar leis, devem constituir uma legislação que regulamente o ensino familiar. Isso pode ser feito por meio da criação de um Plano de Diretrizes Educacionais, que delimite os limites entre o papel da família e da escola, e da criação de projetos que visem a inclusão dos pais dentro do processo educacional promovido na escola. Tudo com o objetivo de potencializar a ação da família na formação do jovem, aliando-a com outras fontes seguras.