A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 16/09/2020

No filme “Mãos Talentosas – A história do Ben Carson”, a mãe do protagonista é a principal incentivadora do filho na escola, contribuindo para sua evolução no meio acadêmico e posteriormente para ele ser um dos melhores neurocirurgiões do mundo. No que tange ao Brasil, entretanto, pouco se observa essa relação de comprometimento dos pais com o desenvolvimento escolar da criança. Nesse contexto, embora seja fundamental a integração da família no sistema pedagógico, fatores como a dedicação árdua ao trabalho e a ausência da interação da estrutura familiar com a escola são impasses no processo de aprendizagem.

A princípio, urge destacar a configuração sociocultural da sociedade pós-moderna. Segundo  o geógrafo Milton Santos, o mundo globalizado prejudica as relações interpessoais. Isso ocorre  devido à  alta competitividade no mercado de trabalho e a busca por uma boa qualidade de vida. Dessa maneira, os pais detêm, em sua maioria, de uma longa e exaustiva jornada de trabalho. Como efeito, o vínculo no ambiente familiar é restrito, havendo uma fragilidade nos laços afetivos e a carência de diálogos. Assim, a baixa disponibilidade dos familiares no desenvolvimento educacional colabora negativamente no baixo rendimento e desinteresse.

Por conseguinte, é válido ressaltar que a escola tem a obrigação de ensinar conteúdos específicos da área do saber. No entanto, a família é essencial para facilitar a aprendizagem e identificar as dificuldades que a criança encontra dentro e fora da escola. Na conjuntura brasileira, constata-se, no hodierno, que a associação família-escola é ínfima. Esse cenário ocorre, principalmente, em virtude do escasso esclarecimento dos papeis que os pais e o educandário devem exercer na construção do conhecimento e na formação de uma pessoa.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas atenuantes ao entrave abordado. Para tanto, o Ministério da Educação em conjunto com as escolas públicas e privadas devem incentivar uma participação ativa dos pais no âmbito educacional, por meio de reuniões e palestras que tenham como objeto de debate a qualidade de ensino, buscando compreender a dificuldade individual de cada aluno. Além disso, o Estado, por meio de incentivos fiscais, precisa estimular a mídia desenvolver campanhas publicitárias que abordem o dever da família na educação. Espera-se, com isso, um maior envolvimento dos pais dentro e fora da instituição educacional.