A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 15/10/2020

A plena formação acadêmica é um direito assegurado no artigo 53 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990. Além de um direito garantido pelo estado, é dever da família participar efetivamente do desenvolvimento educacional das crianças o que é analisado sociologicamente essencial para a formação de uma sociedade civilizada e progressista. Entretanto, observa-se o desrespeito a essa garantia quando substancial parcela das famílias não se envolvem nos processos educacionais das crianças, muitas vezes por falta de instrução agravados pela desigualdade social brasileira.

Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias de solidificar a relação da família e escola. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta, de tal modo o processo de socializar é desencadeado por meio da complexa rede de relações sociais estabelecidas entre os indivíduos durante a vida sendo a família o mecanismo primário. Nesse sentido, a parceria entre família e educadores resulta em um aproveitamento e desenvolvimento do intelecto infantil e das relações intra e interpessoais saudáveis embasadas na ética e honestidade. Além disso, outra importância é o cumprimento dos direitos á educação assegurado no ECA e na Constituição Federal de 1988, que garante acesso a cidadania a todos, sendo, dessa forma  uma obrigação constitucional.

Contudo, existem algumas distorções para essa garantia educacional. Infelizmente, o contexto de desigualdade no qual é pautado a sociedade brasileira favorece o analfabetismo.Segundo o Mapa do Analfabetismo disponibilizado pelo INEP, a taxa de pessoas que não leem nem escrevem está diretamente relacionada a renda familiar, o índice nas famílias que possuem renda inferior a um salário mínimo é de 29% contra 1,4% nas casas que possuem renda superior a 10 salários mínimos. Ocorre que, quando a família não possui escolarização não existe o incentivo nem a perspectiva que a escola possa ser o meio de ascensão social das crianças levando assim a atuação falha desse mecanismo de socialização, não garantindo o pleno gozo ao direito à educação em todos os âmbitos.

Portanto, para que a família colabore efetivamente para o desenvolvimento educacional das crianças  o Ministério da Educação deve ampliar e criar programas para o ensino de adultos, jovens e idosos analfabetos. Isso deve ser feito por meio da instalação de novos programas em áreas marginalizadas socioeconomicamente, onde serão disponibilizadas aulas detalhadas ministradas por professores da educação básica especializadas em alfabetização tardia,e também palestras direcionadas a importância da participação familiar no processo educacional. Logo, o ECA será cumprido de forma factual.