A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 17/01/2021

Em 1988, representantes populares - reunidos em Assembleia Constituinte - instituíram um Estado Democrático, a fim de assegurar o direito à educação como valor supremo de uma sociedade fraterna. Nesse sentido, o auxílio familiar é primordial para que tal pressuposto seja cumprido, sobretudo no desenvolvimento educacional e moral das crianças. No entanto, significativa parcela das famílias ainda é pouco comprometida com a educação dos filhos, o que representa grave mazela social e deve ser solucionado. Assim, seja para evitar prejuízos educacionais aos mais novos, seja para garantir seu desenvolvimento ético, o papel parental na educação deve ser reforçado

Nessa perspectiva, a ausência dos pais no processo cognitivo representa severo entrave para que haja um verdadeiro amadurecimento intelectual de meninos e meninas. Nesse viés, o célebre educador Paulo Freire, em sua obra ‘‘Pedagogia do Oprimido’’, afirma que a família é opressora ao delegar apenas à escola e aos professores a responsabilidade do ensino de seus filhos, já que ela deve estar presente continuamente no aprendizado das crianças. Dessa maneira, é incoerente que os pais, que deveriam ter papel ativo na educação dos infantes, transfiram sua responsabilidade inteiramente aos profissionais, os quais acabam sobrecarregados. Destarte, deve-se mostrar aos parentais a verdadeira importância de sua ação na vida escolar.

Ademais, os responsáveis têm papel primordial no desenvolvimento moral e do caráter de seus filhos, que espelham ensinamentos e comportamentos de seus cuidadores. Nesse seguimento, o filósofo Zygmunt Bauman expõs, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, o conceito de ‘‘Instituições Zumbis’’, segundo o qual as grandes estruturas da sociedade, como a família, mantêm sua aparência externa, mas possuem uma essência vazia, corrompida. Dessa maneira, a falência da instituição familiar torna-a incapaz de realizar ações que seriam de sua atribuição, como a educação ética das crianças, na medida em que tal aprendizado torna-se inviável em lares marcados pela intriga, toxicidade e mentiras, o que representa a subversão dos valores outrora inerentes à família.

Portanto, para reafirmar o papel dos responsáveis na educação de seus filhos, urge que as escolas demonstrem, de forma ativa, a necessidade da presença dos pais no ensino de valores éticos e cognitivos, objetivando a participação desses no desenvolvimento infantil. Isso poderia ser feito por meio de palestras e oficinas, ministradas por professores, que instruam os familiares a auxiliarem os infantes nas atividades diárias e do cotidiano escolar e moral, num projeto chamado ‘‘Responsabilidade Presente’’. Desse modo, poder-se-á atingir o idealizado pela Carta Magna de 1988.