A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças
Enviada em 06/07/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 5º, a igualdade jurídica sem distinção de qualquer natureza, o que garante o direito à educação e proteção à infância como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado efetivamente, à medida que se verifica a falta da família no desenvolvimento educacional das crianças. Nesse sentido, os problemas persistem devido à preponderância do silenciamento moderno e à falta de empatia, dificultando a universalização desses direitos sociais.
Em uma primeira análise, deve-se salientar que a carência participativa da família na educação infantil se caracteriza por um fenômeno provocado pela parca quantidade de tempo livre dos provedores familiares, onerada pela postura frenética da vida moderna e pela omissão da sociedade, capaz de limitar a cidadania. De acordo com Jürgen Habermas – filósofo alemão - a ação comunicativa consiste na capacidade coletiva em defender seus interesses e demonstrar melhorias para a comunidade, o que pontua o debate como uma verdadeira forma de ação social. Assim, a ausência de debates eficazes, bem como a exaltação midiática, comprometem a cidadania como luta pelo bem-estar. Dessa maneira, tal grave entrave acaba por desprezar o vínculo familiar na vida dos jovens.
Em uma segunda análise, vale destacar que a falta de empatia frente a esse quadro hodierno prejudica demasiadamente o desenvolvimento sadio dos estudantes brasileiros. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman – estudioso polonês - defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, é possível afirmar que a tese do sociólogo é observada de maneira específica no contexto brasileiro, uma vez que há a falta de empatia da consciência social sobre os efeitos da importância familiar. Nesse sentido, para compreender tais problemáticas coletivas, é necessário não dar relevância apenas para o individual, posto que essa liquidez que influi a respeito da família no desenvolvimento educacional das crianças impede sua resolução eficaz.
Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem o combate à falta da família no desenvolvimento educacional das crianças. Assim, o Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Educação, devem, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiático-digitais, com o intuito de formar os jovens e informar aos cidadãos quanto ao legítimo papel das famílias na vida de um estudante, bem como promover debates, em meios essencialmente escolares, acerca da temática. Dessa forma, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.