A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças
Enviada em 22/10/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, adotou em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, é preciso se atentar à importância da família no desenvolvimento educacional das crianças, tema de grande relevância , porém pouco discutido. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é preciso entender a influência doméstica na vida escolar e as consequências de uma má atuação.
Primordialmente, é importante salientar que a esfera familiar tem relação direta com a escolar. Isso porque, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família e a escola são, respectivamente, os mecanismos primários e secundários de socialização, ou seja, elas são as responsáveis por apresentar e inserir a criança no meio social. No entanto, ambas as esferas devem agir em conjunto, o que , muitas vezes ,não ocorre. A instabilidade doméstica, seja por violência ou indiferença direcionada aos pequenos, também gera instabilidade escolar, uma vez que estão intimamente ligadas pela responsabilidade de integrar as crianças na sociedade. Assim, é inegável a influência da família na problemática.
Consequentemente, o desenvolvimento escolar do grupo é prejudicado. Para entender tal apontamento, é válido citar o sociólogo Talcott Parsons, na medida em que ele retrata a família como uma máquina de produzir personalidades. Isso mostra que as crianças são facilmente influenciadas pela dinâmica familiar, muitas vezes, copiando os comportamentos dos responsáveis. Nessa lógica, pais ausentes, pouco ativos e que não dialogam com seus filhos a respeito da importância da escola, podem incitar a falta de hábitos de estudo e problemas comportamentais, o que naturalmente resulta em baixo engajamento académico. Desse modo,a negligência doméstica gera grandes consequências para a formação completa de um indivíduo.
Portanto, torna-se imperativa a criação de medidas que ajam sobre a problemática. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da educação- órgão responsável pela supervisão da educação nacional- minimizar as consequências da negligência parental, por meio de acompanhamento psicológico nas escolas, a fim de prestar os devidos auxílios a problemas comportamentais e ensinar as crianças a importância dos estudos. Dessa maneira, a “teologia do traste” poderá ser colocada em prática.