A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças
Enviada em 17/11/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal perrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta da família no desenvolvimento educacional das crianças, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de participação dos pais na vida escolar dos filhos. Nesse sentido, o governo deixa de cobrar e colocar em primeiro lugar a participação presente e envolvimento da família na vida da criança por falta de estrutura e investimento na orientação dos pais na educação da criança. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de estrutura familiar como impulsionador do desinteresse e repetência escolar das crianças no Brasil. Segundo Fitzpatrick & Yoles a ausência de hábitos de estudo, a não permanência na escola, como faltas constantes e problemas comportamentais são os maiores contribuintes para isso. Diante de tal exposto, o papel da escola fica limitado em relação ao interesse do aluno, pois ainda que ela possa ajudar a reverter esse quadro, não é possível sem a ajuda e apoio da família no desenvolvimento educacional da criança. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de campanhas socioeducativas, elabore propostas de orientação e atendimento para as crianças e os pais, com atividades que promovam integração e participação ativa dos pais, a fim de gerar um bom desempenho das crianças na escola, despertando o interesse do aluno para que ele saiba o valor da educação. Assim se consolidará uma sociedade mais apta e instruída, com o Estado desempenhando corretamente seu contrato social como afirma John Locke.