A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 18/11/2021

Na obra ‘‘Brasil: uma biografia’’, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre essas características, aponta-se a ‘’tortuosa construção da cidadania’’. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado no âmbito das falhas ferramentas que estruturam a sociedade como, por exemplo, o papel da família no desenvolvimento socioeducacional das crianças, ora pelo escasso envolvimento familiar na educação, ora pela má atuação do Estado.

Em primeira análise, é válido destacar que a herança ideológica da educação, como um recurso destinado apenas às elites, conservou-se na coletividade e na exclusão de classes inferiores. Sob essa ótica, segundo Michel Foucault, um filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção. Nessa perspectiva, constata-se que o discurso hegemônico de uma educação elitista, na modernidade, não fomenta espaço para a atuação familiar no desenvolvimento socioeducacional das crianças, subjugadas pelo capitalismo que molda o colonialismo em estruturas modernas. Sendo assim, como efeito, segundo a pesquisa da UNICEF, 45% das famílias pobres brasileiras não completaram seus estudos e, portanto, não conseguem contribuir para a história da aprendizagem escolar. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Ademais, é válido destacar que a displicência estatal potencializa esta problemática de um sistema falho em circundar as esferas sociais. De acordo com a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, todos devem ter acesso à educação de qualidade, provedora da isonomia social. Entretanto, ao se analisar em copiosas ocorrências, segundo Zygmunt Bauman, na sua obra ‘‘Modernidade líquida’’, o Estado atua como uma ‘‘Instituição zumbi’’, ou seja, sua forma existe e se perpetua, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo contato com as virtudes sociais. Dessa forma, é possível salientar que a má atuação estatal provoca um falho acesso socioeducacional e perpetua a condição de desigualdade social diante a limitação da educação ao garantir a condição de subcidadania ao restante da população.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância da democratização da educação como propulsora de um país forte em bases democráticas. Sob essa finalidade, urge que o Ministério Público Federal, por meio de ações judiciais avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve assegurar as condições socioeconômicas de um progresso sustentado e igualitário.