A importância da filantropia para as transformações sociais
Enviada em 14/03/2024
A obra “Utopia”, de Thomas More, idealiza uma sociedade isenta de mazelas,
isto é, essencialmente positiva. Contudo, é fato que a realidade brasileira é distante
desse cenário, pois a filantropia — mecanismo imprescindível para formar uma co-
munidade benéfica — é ínfima. Nesse sentido, as causas dessa configuração, que se referem ao individualismo e à desinformação, devem ser mitigadas.
Efetivamente, o egocentrismo prejudica a consolidação dos atos filantrópicos
no Brasil. Segundo a tese Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, a contempo-
raneidade é marcada pela busca incessante por ganhos pessoais e, a partir disso, pela indiferença ao âmbito comunitário. Nessa perspectiva, fica claro que muitos indivíduos — preocupados exorbitantemente com seus próprios objetivos — são
apáticos à realização das doações, as quais são basilares aos órgãos filantrópicos, e, com isso, impedem a modificação positiva da sociedade nacional devido à inabilidade conferida a esses agentes. Desse modo, é inadmissível que o povo falhe no âmbito interpessoal, pois isso fomenta uma nação progressivamente mais desarmoniosa e individualista.
Ademais, a carência informacional impede a plenitude das ações solidárias no
país. Conforme a instituição britância Ipsos Mori, o Brasil é uma das pátrias mais alienadas do mundo, o que é promovido pela inacessibilidade aos meios de comunicação. Sob essa lógica, fica evidente que, devido à dificuldade de acesso a jornais e a aparelhos celulares, a disseminação publicitária acerca da presença dos eventos filantrópicos, a qual é essencial para torná-los efetivos transformadores da sociedade, permanece insuficiente. Desse modo, é inaceitável que a desinformação persista no cenário brasileiro, haja vista que isso propicia um contigente demográfico cada vez mais alheio à presença e à relevância das mobilizações filantropas.