A importância da filantropia para as transformações sociais

Enviada em 15/03/2024

O modo de produção capitalista tem os seus pontos cegos. O lucro, sua força motriz, aloca os recursos de forma desigual, concentrada e distribuída entre poucos. Em paralelo, interesses sociais que não remunerem os atores econômicos privados estão sob o risco da negligência. Esta dinâmica inerente ao sistema econômico vigente cria bolsões de populações à margem da força de trabalho e deixa temas essenciais à sociedade desassistidos. Neste contexto, tal e qual o arqueiro de Robin Hood, a filantropia excede a sua semântica de caridade e pode funcionar como verdadeira ferramenta que assegura a redução das iniquidades e, destarte, o bem-estar social. Para cumprir essa finalidade, porém, é preciso que Estado e iniciativa privada atuem como binômio no emprego dos recursos destinados aos projetos filantrópicos. O significado primário da filantropia enseja a caridade. Tal significado fica sob suspeita em um sistema econômico definido a partir do individualismo de seus agentes. Detecta-se a impossibilidade da filantropia como mera caridade nos dados da : recursos destinados de forma ineficiente e/ou insuficiente para projetos filantrópicos encabeçados pela iniciativa privada, de autoria privada, sem o desejável papel neutro do Estado expresso nas ações governamentais. O “contrato social” define essa neutralidade como consequência do consentimento tácito dado pelos membros de uma sociedade às instituições estatais para que atuem em prol do benefício coletivo; neste contexto, destarte, a filantropia não deve acontecer unicamente através dos projetos individuais encabeçados pela iniciativa privada. Ela é, por definição, um objeto de apreciação para o Estado em suas políticas governamentais. A filantropia tem um imenso potencial para gerar benefícios às populações e causas onde os interesses orgânicos no capitalismo não chegam. A fim de assegurar a máxima eficiência no uso dos recursos filantrópicos, porém, faz-se necessária a ação do Estado como intermediador que define áreas mais necessárias e discrimina o destino dos recursos entre elas. Por meio de portarias e deliberações e nível Legislativo e Judiciário, a finalidade da filantropia pode se efetivar.