A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/11/2020

No livro distópico “Fahrenheit 451”, escrito por Ray Bradbury, uma das principais características de uma sociedade alienada é a falta de uma leitura independente e reflexiva. Nesse sentido, é sensato que o Brasil busque se afastar dessa realidade através da literacia familiar, isto é, práticas que incentivam desde cedo contato com a linguagem oral e escrita.

Primeiramente, é notável a necessidade de incentivo à leitura e ao pensamento crítico desde a infância, já que proporcionam à criança a capacidade de filtrar conteúdos relevantes, que de acordo com o economista Daniel Kahneman, é uma habilidade muito importante no processo de aprendizado. Além disso, a literacia familiar permite uma educação intrapessoal, possibilitando o estudante de refletir sobre as próprias condições sociais vividas, que de acordo com Paulo Freire é essencial no processo de se libertar das amarras sociais.

Entretanto, de acordo com dados do IBGE, cerca de 30% da população brasileira vive na linha da pobreza, certamente dificultando o acesso à materiais escolares e livros que possam proporcionar acesso à uma educação interativa na infância, um dado relevante para essa afirmação é um levantamento do Ibope Inteligência, que no ano de 2015 mostrou uma concentração de cerca de 40% dos leitores do país na região sudeste, ou seja, a de maior estabilidade econômica.

Destarte, é visível a importância de uma educação familiar de qualidade, acima de tudo uma acessível para todos os cidadãos, sendo assim responsabilidade do Governo Federal, através do Ministério da Educação, a criação um programa que busque levar livros e materiais educativos diversos à famílias desamparadas economicamente, visando proporcionar uma aprendizagem libertadora e de qualidade desde suas fases iniciais para crianças em todo o Brasil.