A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 11/11/2020
Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à cultura e à educação. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que é concedida pouca importância a literacia familiar no Brasil. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.
Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na criação de projetos eficazes em difundir sobre a importância da literacia em família. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, com o intuito de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não cria locais públicos destinados a leitura familiar e com um acervo de obras literárias gratuitas, de forma a permitir que pessoas em condição socioeconômica vulnerável tenham acesso a essa prática. Logo, a escassez dessa ação impede que alguns cidadãos desenvolvam sua compreensão da realidade, já que o hábito de ler entre pais e filhos favorece a construção de capacidade cognitiva e de interação social.
Ademais, a importância da literacia familiar está relacionada com a formação de cidadãos conscientes da realidade social, econômica e política do país, ao passo que algumas instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular essa prática na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de reconhecer como a leitura e a escrita em conjunto com a família colabora para sua formação cultural. Portanto, em função da baixa escolarização e da falta de estímulos em criar o hábito de ler, parte da população tem uma interpretação de texto deficitária e, por isso, estão mais suscetíveis a alienação.
Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver providências capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio do financiamento de empresas de construção e de livrarias, edificar em regiões marginalizadas, como áreas rurais ou favelas, espaços destinados a literacia familiar e com obras literárias gratuitas e, com efeito, permitir que essa prática de leitura e escrita em família contribua para a formação cultural do indivíduo. Desse modo, haverá um maior enfoque em criar o hábito de ler entre pais e filhos, visto que terão locais apropriados para favorecer essa atividade.