A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/11/2020
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante o direito à educação a todos. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido com tanta ênfase na prática, tendo em vista a inoperância estatal em investir no setor educacional, bem como a cultura enraizada da falta de leitura nos lares, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.
A princípio, é primordial ressaltar a falta de investimento do governo nas escolas. Exemplo disso é que cerca de 55% das instituições escolares possuem bibliotecas ou salas de leitura, segundo dados do INEP. Percebe-se, nesse viés, a negligência em uma prática fundamental para o desenvolvimento psíquico do cidadão, a interpretação. De acordo com Markus Zusak, na obra “A menina que roubava livros”, a protagonista muda sua realidade por meio da leitura. Nessa lógica, é notória que uma análise aos livros transforma a mente do leitor e o faz conhecer nova culturas, hábitos, costumes e perspectivas.
Ademais, convém relacionar que a falta de leitura é algo enraizado nos lares e transmitido por gerações. Segundo a “Teoria do Habitus”, elaborada por Pierre de Bourdieu, a sociedade reproduz um padrão que foi imposto à sua realidade. A partir desse pressuposto, é evidente que a análise de obras pelo povo brasileiro é ínfima, e parece não ter importância. Entretanto, é necessário mudar esse cenário e trazer à família a responsabilidade de incentivar os filhos na prática diária da apreciação dos livros, pois os pais são a base para a formação da educação infantil.
Infere-se, portanto, que é mister a adoção de ações que visem melhorar o desenvolvimento do cidadão. Em vista disso, cabe ao governo, como instância máxima de administração executiva, investir no setor escolar, fornecendo um acervo de livros e espaço de leitura para os discentes, por meio de leis orçamentárias que forneçam verbas para tal investimento. Além do mais, faz-se necessário uma maior interação entre a família e escola, principais agente formadores educacionais, com projetos mensais de leitura e o acompanhamento dos pais nas obras literárias lidas pelos filhos. Assim, a Carta Magna terá uma garantia cumprida e a literacia familiar será uma realidade.