A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/01/2021
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais dificultam o letramento familiar interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, à escassez de medidas socioeducativas que promovam a aprendizagem dos indivíduos, bem como à omissão dos pais em estimular a prática da literacia. Essa cisrcunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar as mazelas.
Convém ressaltar, a princípio, que a questão estatal e sua aplicação contribuem para potencializar o problema. Nesse ínterim, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Sob esse viés, denota-se a ausência de um programa de alfabetização no lar, o qual possibilite a distribuição de livros didáticos e em histórias animadas, além de cartilhas do “ABC”, a fim de desenvolver a linguagem oral e escrita dos indivíduos, principalmente na fase infantil. Ainda mais, percebe-se a carência de bibliotecas nas pequenas cidades com o acervo em livros de matemática para ajudar as famílias na compreensão dos números e ensinar à tutela. Isso posto, entende-se a coerência da teoria aristotélica, ao assegurar a ausência de empatia, intensificada, mormente, pela fluidez na relação política e social e que fomenta o analfabetismo no meio parental.
Convém ressaltar, outrossim, a conformidade da temática em voga com a premissa da filósofa Hannah Arendt, em que a negligência em relação ao outro constitui um grande dilema da modernidade. Nesse sentido, infere-se a omissão dos familiares em ajudar os indivíduos na aprendizagem de algarismos e na caligrafia, a julgar a parcela ínfima dos pais que possui o hábito da leitura ou, inclusive, relevar a formação escolar dos filhos. Tal cenário comprova-se por dados da plataforma Mapa da Aprendizagem, a qual aponta que 50,2% dos estudantes relatam o interesse dos tutores pelas atividades escolares. Com efeito, esse contexto corrobora para a marginalização social dos brasileiros, a considerar a regressão do desenvolvimento cognitivo ao longo da vida, fato que agrava o evento.
Urge, portanto, que, mediante a realidade nefasta do aletramento familiar, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao poder público, em sinergia com o Ministério da Educação, elaborar um sistema de ensino-aprendizagem nas residências, por intermédio de investimentos em tecnologia via internet com livros e cartilhas digitais, além da construção de centros de leitura nos municípios, no intuito de promover a formação pedagógica da população. Ademais, compete à família, organizar dinâmicas com tabuadas e silabários, com a finalidade de alfabetizar com qualidade os parentes. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será efetiva.