A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/11/2020
A primeira escritora negra brasileira Carolina Maria de Jesus vivenciou a realidade de muitas crianças, a falta do incentivo familiar ao processo educacional. Analogamente, na sociedade atual a literacia familiar ainda é uma realidade distante de muitos brasileiros, uma vez que a era digitalizada a educação se tornou um fardo e não uma necessidade. Nesse âmbito, tal problemática é causada tanto pela falta de acesso à educação, quanto pela ineficácia familiar no incentivo à leitura e no desenvolvimento infantil.
Nesse contexto, cabe trazer à balia que o acesso ao processo educacional infantil no país é um privilégio para poucos. Nessa visão, é perceptível como a desigualdade social no país afeta diretamente a família que acaba gerando consequências na educação infantil, como exemplo, o indivíduo de baixa renda muitas vezes não pode realizar o deslocamento do seu filho para a escola e depois retornar para buscá-lo, logo a única saída é levar o seu filho para o emprego ou deixa-lo em casa. Em meio a isso, o site " G1" noticiou que cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes estão fora da unidade escolar e de acordo com 15% dos pais desse grupo eles têm que escolher entre apoiar o filho ou colocar comida na mesa, no contexto social tal realidade é inaceitável ter um número tão elevado de crianças fora da escola. Dessa maneira, é valido ressaltar como o papel da família e do governo é necessário para o desenvolvimento da literacia no país.
Ademais, é mister ressaltar que o déficit da família no incentivo à leitura é um problema vultoso. Isso ocorre, pois muitos pais e responsáveis não possuem tempo nem oportunidade para ensinar ou incentivar as suas crianças na escola ou até mesmo na leitura, visando sanar isso o banco Itaú criou o projeto “Leia para uma criança”, porém nem a mobilização midiática sanou o problema. Sob essa perspectiva, o importante filósofo e escritor contemporâneo Byung- Chun Han, em seu livro, “Sociedade do cansaço”, busca evidenciar como os indivíduos têm se preocupado mais com o desenvolvimento financeiro do que com a sua própria família, a situação defendida pelo filósofo ratifica como essa sociedade ataca o desenvolvimento infantil impossibilitando os responsáveis de cuidar dos seus filhos.
Portanto, faz-se necessário a tomada de medidas para sanar o problema da falta de literacia. Isso posto, urge que a escola - agente responsável pelo desenvolvimento do senso crítico dos indivíduos - inclua no seu calendário letivo um projeto chamado “Ler para crescer” e por meio desse projeto a comunidade seja convidada a entender a importância da literacia familiar, a fim de que o desenvolvimento infantil seja uma prioridade social. Desse modo, a realidade vivenciada por Carolina Maria de Jesus e também por milhares de crianças será sanada gradualmente.