A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 24/11/2020

Segundo o sociólogo Emilé Durkheim, a família é o mecanismo primário de socialização do indivíduo, sendo base para trasmitir os dogmas morais e culturais da sociedade. Nessa perspectiva, observa-se a importância da literacia familiar, vínculo familiar literário entre pais e filhos, no desenvolvimento de competências para a leitura e aprendizado escolar. Entretanto, apesar dessas constatações, o hábito da comunicação educativa no seio familiar é negligenciado na sociedade brasileira. Essa realidade é fruto inegável de um senso coletivo de que a educação é responsabilidade integral do Estado. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar essa situação, destacam-se o aceleramento do ritmo de vida urbana, bem como a influência dos discursos midiáticos.

Em primeiro plano, é imperativo analisar como a excessiva carga de trabalho, aliada à omissão dos pais na educação infantil, cristaliza essa problemática. Isso ocorre porque o atual sistema econômico vigente, que prioriza o lucro em detrimento da qualidade de vida dos sujeitos, impõe longas jornadas de trabalho aos cidadãos e, desse modo, restringe o tempo de convívio familiar, fato que alicerça no imaginário popular a tendência de terceirização da educação para as escolas. Esse pensamento encontra-se divergente ao defendido pelo filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella que,  ao contrário da tendência da sociedade brasileira em delegar a educação apenas às instituições de ensino, defende a importância da relação familiar na educação infantil e reafirma como as mudanças sociais acentuaram na mentalidade dos sujeitos o dever de transferir a educação dos pais para as escolas.

Além disso, observa-se como os discursos midiáticos, em conjunto com o descasso das famílias na educação dos filhos, solidificam esse cenário. Essa situação advém de uma mídia pautada na propagção de publicidades que centralizam apenas as escolas como responsáveis pela deteriorização do ensino brasileiro e detentora do papel de transmissão do conhecimento. Nesse contexto, o Ministério da Educação, buscano reverter esse quadro lançou o “Guia da Literacia Familiar”, no qual disponibiliza ferramentas de ensino para os familiares atuarem na educação infantil.

Visto isso, entende-se que a indiferença da sociedade com a literacia familiar origina-se de uma percepção equivocada de que apenas o Estado deve fornecer educação aos jovens. Desse modo, cabe ao Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, criar um Plano Nacional de Valorização à Literacia Familiar, a fim de ampliar a participação dos pais na educação primária. Assim, esse Plano deve oferecer incentivos fiscais às empresas que promovam o convívio literário dos funcionários com seus filhos, além de regulamentar o conteúdo da mídia instituindo a obrigatoriedade de propagar caminhos para incentivar a literacia nos núcleos familiares.