A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/11/2020
O Brasil conta com uma das menores taxas de leitura do mundo, como conclui a pesquisa liderada pelo Instituto Pró-Livro, que indicou que o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano. Além disso, também concluiu que cerca de 30% da população nunca comprou um livro. Esse déficit literário reflete uma ausência de políticas de Estado efetivas que incentivem a leitura no país. Todavia, há algumas circunstâncias que agravam esse quadro, tais como a desigualdade de renda e as jornadas duplas de trabalho.
É um consenso entre cientistas que ler estimula a criticidade das pessoas. No entanto, a desigualdade de renda brasileira contribui para que o país não alcance um contingente de leitores significativo. Isso ocorre se dá porque as famílias optam em comprar insumos alimentícios e de sobrevivência, ao invés de comprar livros, que por serem muito tributados, se tornam artigos de luxo. Consequentemente, a literacia familiar é desestimulada, tornando essa prática - fundamental para o exercício da cidadania - esquecida.
Além disso, os dados de 2019, da Organização Mundial de Saúde, apontam que as mães trabalham 7,5 horas a mais do que os homens, devido à sobrecarga de trabalhos domésticos. Como o patriarcado definiu que as mães são responsáveis pela educação e criação dos filhos dentro de casa, essas criadoras dispõem de pouco ou nenhum tempo para se dedicarem à leitura e também estimulares seus filhos nesse caminho. O resultado disso é que as mães gastam mais tempo limpando os seus lares do que lendo e realizando atividades intelectuais com os filhos.
Diante esse panorama, é inegável que há, no país, um ínfimo estímulo à leitura e à literacia familiar, sustentado na inexistência de políticas estatais para fazê-lo. Assim, para sanar essa deficiência, é preciso que a sociedade civil organizada, juntamente com organizações não governamentais condizentes, pressione os seus representantes federais eleitos para criarem um Programa de Incentivo Literário. Para viabilizar esse projeto, o Ministério da Educação e o Ministério da Economia, rearranjariam seus contingentes orçamentários para financiar subsídios fiscais a editoras e livrarias, a fim de que os livros diminuam de preço e se tornem mais acessíveis para as famílias. Além disso, o PIL também destinaria parte da verba para financiar pesquisadores que identifiquem as regiões com maior déficit literário, para que haja uma atuação focalizada. Não obstante, uma menor parte dessa verba se destinaria à produção de documentários e campanhas audiovisuais para conscientizar as pessoas da realidade massacrante da jornada dupla de trabalho feminino, uma vez que a primeira ação a se fazer frente a um problema complexo é compreendê-lo.