A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 14/01/2021
O desenvolvimento da literacia familiar -ato de ler para os filhos- se deu na Europa renascentista, graças à invenção da imprensa por Johan Gutemberg no século 15. Tal acontecimento mudou a história da leitura permitindo seu acesso a outras classes sociais além do clero e a nobreza. Entretanto, segundo uma pesquisa do Instituto Pró-livro os brasileiros leem em média 2,43 livros por ano, um número muito baixo em comparação a outros países. Diante dessa conjuntura, é válido salientar não apenas a relevância da leitura na infância mas a desigualdade social e a alienação parental como empecilhos para a aplicação dessa pelas famílias brasileiras.
Em princípio, cabe destacar a importância da leitura na infância, pois essa oferece um amplo repertório e é capaz de desenvolver um cidadão dotado de senso crítico, o que é um fator decisório no futuro, principalmente acadêmico, do indivíduo. Todavia, no Brasil, 27% da riqueza se encontram nas mãos de 1% da população, de acordo com a Pesquisa de Desigualdade Social de 2018. Enquanto isso, direitos fundamentais para a subsistência humana são negligenciados por parte do Estado para outra parte da população. Como, por exemplo, a cidade de Melgaço no Pará, com pior IDH do Brasil, pessoas sofrem com fome e falta de saneamento básico. Nessa perspectiva, é compreensível que a literacia familiar não seja, e esteja longe de ser, uma realidade no país.
Nesse sentido, vale ressaltar, alguns assuntos, como a contribuição da leitura na infância para a alfabetização e a alienação parental como empecilho nesse processo. Em suma, a literacia familiar proporciona para a criança o desenvolvimento da capacidade cognitiva, da leitura, da escrita e, além disso, a criatividade, as quais são fundamentais no processo de alfabetização. Porém, devido à rotina rápida e exaustiva da sociedade moderna, principalmente após a Revolução Industrial, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a participação dos pais tem se tornado cada vez mais escassa na educação dos filhos o que, por conseguinte, dificulta a efetivação da literacia familiar.
Por fim, é evidente a imprescindibilidade de instaurar medidas para amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional do país, por meio de maiores investimentos, amplie programas facilitadores do acesso e desenvolvimento do hábito de leitura pelos pais para com seus filhos, com o objetivo de tornar a literacia familiar e seus benefícios uma realidade no Brasil. Igualmente, faz-se necessário que o Governo Federal, invista em outras áreas como alimentação, saúde e saneamento básico, visando que os direitos básicos para subsistência sejam garantidos em todo o país.