A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Em 2020, o Ministério da Educação, visando agregar ao Plano Nacional de Alfabetização, criou o projeto Conta Pra Mim que incentiva o hábito da literacia familiar - prática da leitura - na sociedade brasileira. Entretanto, embora o governo esteja instruindo as famílias e divulgando a importância do hábito da leitura para com as crianças, muitas delas não conseguem entender o  porquê dessa importância e outras não têm ao menos a capacidade de aderir à prática devido ao analfabetismo funcional estabelecido na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é válido destacar como as famílias do Brasil não veem a implicância positiva na vida das crianças a partir da leitura dentro de casa. Nessa perspectiva, entende-se que muito indivíduos adultos pensem que a formação intelectual da criança deve ocorrer apenas no âmbito escolar, quando na verdade a criança desenvolve sua capacidades cognitivas - como raciocínio e memória - ainda na primeira infância. Nesse sentido, o psicólogo bielorrusso Vygotsky, que estudou o processo de aprendizado na infância, concluiu em seus estudos que a interação da criança com o seu ambiente promove maior internalização dos novos conhecimentos nela. Logo, é notório que o hábito da leitura no âmbito familiar é crucial para que os indivíduos se desenvolvam como seres pensantes e isso gere bons frutos para as próximas gerações.

Soma-se a isso o fato de o padrão da família brasileira não corresponder ao requisitos do hábito da literacia familiar. Segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional, estabelecido pelo Instituto Monte Negro, de 3 a cada 10 brasileiros não têm a capacidade de compreender aquilo que leem. Dessa forma, fica evidente que a leitura em família se torna algo distante dessas realidades, visto que nem ao menos os responsáveis têm a capacidade de aderir à prática, não por falta de compreensão da importância de tal, mas sim pela impotência de realizar essa atividade com suas crianças.

Conclui-se, portanto, que resoluções devem ser aplicadas. A partir disso, cabe às Secretárias de Educação das cidades promoverem reuniões periódicas - de 15 em 15 dias - com os professores e as famílias da comunidade. Deve-se haver a realização de leituras coletivas em escolas, a partir da convocação desses indivíduos por meio de jornais, folhetins e cartazes publicitários locais, para que a população comece a se adaptar à prática. Além disso, os professores voluntários devem incentivar os adultos à desenvolverem sua capacidade de ler. Dessa forma, haverá a diminuição do analfabetismo e ainda tornará o Conta Pra mim mais eficaz para a sociedade.