A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 14/11/2020
A obra literária “A menina que não sabia ler”, escrita por John Harding, retrata a história de uma garota que enfrenta os desafios de aprender a ler sozinha para passar o tempo na mansão em que vive. Fora do âmbito ficcional, o livro dialoga com o público acerca da importância da literacia familiar, principalmente durante a fase infanto-juvenil. Nesse sentido, é preciso compreender as causas que distanciam os indivíduos desse processo de letramento e as consequências dessa problemática na vida dos brasileiros.
Em primeiro momento, faz-se necessário entender os empecilhos que dificultam o processo de literacia. Assim sendo, a correria do mundo moderno, a qual proporciona uma liquidez das relações contemporâneas como dito por Baumann, culmina para o distanciamento dentro do próprio ambiente familiar. Nesse cenário, a falta de acompanhamento dentro da própria residência é fator que resulta no desinteresse por parte do jovem, uma vez que, tende a se sentir desmotivado devido à ausência de apoio. Além disso, muitas vezes, métodos institucionalizados de ensino não atendem a demanda de todos ali presente e a carência de dinamismo acaba corroborando para o desinteresse do cidadão. Logo, nota-se a necessidade de incentivo e inovação durante o processo de aprendizado.
Nesse cenário, a alfabetização familiar assume caráter fundamental na formação pessoal e sua privação danifica o desenvolvimento pleno da criança. Nesse viés, consoante a pedagoga Cláudia Onofre, aquele que se desenvolve em um cenário de literatura escasso tende a apresentar dificuldades durante a trajetória acadêmica, traços de timidez e baixa capacidade imaginativa. Assim, esses seres localizam- se, em muitos casos, à margem do progresso, pois segundo Kant, filósofo prussiano do século XIX, um homem sem conhecimento é incapaz de sair de sua minoridade, ou seja, não é capaz de pensar por conta própria. Dessa forma, esses enfrentam lutas diárias ao se parearem a pessoas letradas, pois não possuem as mesmas condições, contrariando o ideal de igualdade previsto no artigo 5 da Magna Carta.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem a precariedade da literacia familiar. Portanto, cabe a família - estrutura base da constituição do sujeito- incentivar a criação de hábitos de leitura, inicialmente com a participação dos pais, por meio de leituras na hora de dormir ou em outros momentos e, posteriormente, com o estabelecimento de horários para lazer literário diariamente durante a rotina infantil, com o fito de inserir na formação do jovem o gosto pelo letramento contínuo. Somente assim, por intermédio do apoio dos familiares, poderá ser solucionado essa questão que impede o desenvolvimento juvenil completo, tal como visto no livro “A menina que não sabia ler”.