A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
A garantia do desenvolvimento nacional é descrita, na Constituição Federal de 1988, como um objetivo fundamental da República. É factual, que tal desenvolvimento é possibilitado, por meio de uma educação plural e efetiva. Hodiernamente, no entanto, esse quadro de avanço educacional não se concretiza, em virtude da ausência de programas eficazes de literacia familiar no Brasil. Assim, é incontrovertível mencionar a importância de tal projeto e minorar a ausência parental e o lamentável desconhecimento sobre os estágios de literacia.
Sob essa perspectiva, é basilar aludir ao sociólogo francês do século XIX, Émille Durkheim, tendo em vista sua afirmação de que a educação se baseia em uma socialização, a qual acontece dos adultos e se direciona aos jovens, de maneira que, essa interação deva acontecer de forma adequada e lúdica. Paralelamente, é imperioso que o processo de literacia contemple as técnicas e as etapas corretas, com o intuito de, não só, motivar a criança, mas também, de facilitar o aprendizado e a interpretação. Entretanto, há, ainda, por parte dos pais, um raso conhecimento sobre as técnicas efetivas no processo de engajamento na leitura. Comprova-se isso, com base na escassa quantidade de livros lidos pelos jovens - mácula que urge ser mitigada.
Outrossim, não há que se olvidar da importância da literacia realizada no âmbito domiciliar, constatando-se que a participação da família é insubstituível. Nesse sentido, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que os pais constituem a Tríade Protetiva, devendo, assim, participar ativamente da educação das crianças. Entretanto, muitos familiares se ausentam de tal dever, de forma a delegar tal responsabilidade aos professores. Depreende-se isso, por meio da expressiva ausência parental nas reuniões escolares. Por conseguinte, há uma impossibilidade de efetivar o diálogo entre os pais e a escola. Com efeito, a consequência do não-comparecimento familiar é irrecuperável no processo de ensino.
Diante dos fatos expostos, é dever do Ministério da Educação (MEC), ampliar o atual programa de literacia familiar e organizar uma campanha nacional de elucidação ,nas instituições educacionais, sobre as etapas da leitura, dando ênfase às estratégias que a família pode utilizar para melhorar as habilidades leitoras e criar o hábito de ler ,rotineiramente, com o fito de garantir a efetiva socialização defendida por Durkheim. Ademais, é dever, ainda, do MEC, promover um boletim mensal em que os professores e estudantes avaliem os pais, nos quesitos participação, diálogo e leitura em família, a fim de empenhar ,de modo dinâmico, a participação da família na educação dos filhos. Assim, nos termos da Lei Maior, a educação tornar-se-á uma constante no seio familiar.