A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/11/2020

O sociólogo estadunidense Talcott Parsons, importante nas décadas 50 e 60, disse que a família é como uma máquina, que produz e influencia personalidades humanas. Em analogia ao pensador, é evidente que a literacia familiar é uma importante forma de promover o desenvolvimento educacional dos filhos, porém, é uma prática que ainda não atinge a totalidade do Brasil. Nesse sentido, cabe analisar a desigualdade social e a má influência midiática como causas do problema, que será solucionado com ações governamentais eficientes.

Primeiramente, é crucial analisar a disparidade socioeconômica como causa do revés. O grupo brasileiro Racionais MC´s, em sua música Tempos Difíceis, diz que “pessoas trabalham o mês inteiro/ se cansam, se esgotam, por pouco dinheiro”. Dessa forma, é inegável que a facilidade de adquirir o hábito de leitura não é igualitário, uma vez que a população menos favorecida passa grande parcela de seu tempo em ocupações laborais para garantir a sobrevivência e se preocupando em asseverar as necessidades básicas à família, tornando-se indubitável que a leitura não será uma prioridade. Todavia, a ausência dessa prática prejudica o desenvolvimento social da criança, pois, segundo a pedagoga Cláudia Onofre, o aluno que não possui a vivência da literacia, apresenta dificuldade de se expor e um comportamento tímido, evidenciando que a leitura deve ser democratizada nas famílias.

Outrossim, a má influência da mídia é uma outra questão a ser analisada. Desde o início da globalização, a expansão da tecnologia e da internet foi de suma importância para a humanidade. No entanto, ela se torna maléfica ao passo que induz o indivíduo a usufruir grande parte de seu tempo conectado nas redes, por meio de algoritmos e influenciadores digitais que cativam o público, tornan-do-o alienado às outras atividades, visto que segundo a revista Exame, as crianças brasileiras passam cerca de 6 horas do dia conectadas à internet. Logo, é evidente que a disponibilidade para a leitura familiar se torna ínfima, mostrando que medidas devem ser tomadas.

Diante o exposto, é crucial que a prática da literacia seja mais frequente. Nesse viés, o Ministério da Educação, órgão que elabora e executa a PNE, deve distribuir livros e auxílio financeiro em periferias por meio de professores de literatura que dialoguem e incentivem as famílias a lerem em conjunto, para que tal prática seja democratizada. Ademais, o MEC, por meio de empresas tecnológicas, deve desenvolver um aplicativo - disponível gratuitamente para todos os sistemas operacionais- que bloqueie o uso do eletrônico para crianças após uma hora de uso, e esteja acessível apenas três horas depois, para que as tecnologias não impeçam um devido desenvolvimento educacional. Destarte, reafirmando a ideia de Parsons, o meio familiar irá desenvolver, com a leitura, a personalidade da próxima geração.