A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 15/11/2020
Para Charles Darwin, o que garantiu o sucesso evolutivo humano foi a alta inteligência, tal qual a habilidade de acumular conhecimento e transferi-lo para as gerações futuras, criando um fluxo de aprendizagem. Nesse contexto, o incentivo à literacia familiar torna-se importante, visto que contribui para o êxito da espécie humana. Todavia, essa prática é rara nos ambientes familiares brasileiros, seja pela ineficiência familiar, seja pelo analfabetismo.
Mormente, consoante ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, algumas instituições pós-modernas, a exemplo da família, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas de “instituições zumbis”. Nesse sentido, pode-se dizer que os pais, os quais deviam fomentar a prática da leitura juntamente com os próprios filhos, são inertes frente a isso, uma vez que eles incumbem à escola o dever de alfabetizar e educar os próprios infantes. A esse respeito, dados revelados em 2015 pelo CPS (Centro de Pesquisas Sociais) apontam que cerca de 98% das crianças chegam aos educandários analfabetas, o que evidencia que os pais são inertes frente ao papel da educação familiar.
Outrossim, de acordo com o IBGE, o Brasil possui cerca de 11 milhões de analfabetos, o que é preocupante. Ou seja, como pode haver efetivamente a ação da literacia familiar se uma grande parcela populacional não é letrada? Esse é um dos principais dilemas para a concretização do ato de praticar o ato de ler e escrever com os próprios filhos. Isso pode ser observado na frase de Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, o qual afirma que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si”,
Urge, portanto, uma solução para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da educação (MEC), por meio de campanhas midiáticas divulgadas na televisão, rádio, outdoors e cartazes dispersos nas cidades, incentivar a literacia familiar na sociedade brasileira, a fim de que haja iniciativa do próprio núcleo parental em iniciar o processo de alfabetização logo na infância. Ademais, o MEC também deve incentivar que mais adultos analfabetos matriculem-se no Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos mediante propagandas midiáticas, com o fito de amenizar o problema da carência de letragem e, consequentemente, da literecia familiar na nação verde-amarela, atestando as palavras de Paulo Freire.