A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 23/11/2020

O advento da imprensa, no século XV, possibilitou – ou deveria possibilitar - a democratização do acesso ao livro com o passar do tempo. Apesar disso, hoje, no Brasil, mesmo após 6 séculos, a maior parte das famílias brasileiras ainda não consegue desenvolver o hábito da literacia familiar em seus lares. Desse modo, com a elitização dos livros e as obrigações da vida adulta, esse meio de aprendizagem e diversão ainda é defasado na sociedade brasileira.

Em uma primeira análise, vale salientar que com os altos preços dos livros e a baixa renda da população o problema é agravado. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx, desenvolveu a tese de mais-valia, a qual explicita a diferença entre valor daquilo que o trabalhador recebe e o que ele produz, denunciando a exploração do indivíduo. Dessa forma, o brasileiro que ganha - em média - um salário mínimo não conseguiria comprar obras literárias com o intuito de ler para seus filhos, pois há outras prioridades básicas, como alimentação e moradia, que acabam se sobressaindo frente à leitura. Nesse viés, enquanto o salário mínimo não garantir o mínimo de dignidade à população, a falta de presença dos livros nas residências brasileiras será realidade.

Além disso, o tempo que se é gasto trabalhando para promover o próprio sustento, impossibilita a literacia familiar de tornar-se um hábito comum para todos. Nesse contexto, a Primeira Revolução Industrial, que ocorreu no século XVIII, transformou as relações de trabalho no mundo, fazendo com que os trabalhadores passassem em média 16 horas por dia em seus empregos. Devido a isso, hoje, essa relação intensificou-se ainda mais com a Terceira Revolução Industrial, pois, dependendo do trabalho da pessoa mesmo, em casa ela ainda possui atribuições para fazer. Com isso, o tempo de descanso se tornou cada vez mais escasso e a atenção a leitura para os filhos acaba sendo negligenciada.

É, pois, fundamental que seja combatida a problemática da falta de literacia familiar. Para isso, o Ministério da economia deve promover o aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores e a redução da carga horária de trabalho, por meio de um projeto de lei, que promova um aumento anual e obrigatório do salário mínimo acima da inflação e também que se puna com rigor empresas que não obedecem as normas de descanso previstas em lei. Essas medidas teriam o intuito de criar um ambiente agradável, para que ocorra a literacia familiar, na qual sem ela as próximas gerações terão uma educação medíocre e desinteressada por leitura.