A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
A agenda da ONU de 2030 é composta por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de educação para a população. Dessa forma, a importância da literacia familiar em debate no Brasil contribui com os planos da Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que auxilia não só na promoção da autonomia do indivíduo, mas também na homogeneização da sociedade.
Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que a qualidade do letrado é importante para o desenvolvimento das ideias individuais. Nesse sentido, segundo Paulo Freire, a educação é evidenciada como uma ferramenta de libertação e de promoção da autonomia do indivíduo. Evidentemente, a ausência das condições de literacia familiar prejudicam na formação crítica da população, já que é por meio de uma boa educação que se molda sujeitos capazes de formarem opiniões por conta própria. Por conseguinte, observa-se a manutenção da democracia, visto que as pessoas são menos induzidas por políticas populistas e, muitas vezes, escolhem os candidatos pelos seus ideais.
Além disso, é imperativo ressaltar que a literacia auxilia na homogeneização da sociedade. Nessa ótica, de acordo com Sérgio Buarque de Holanda, na obra “Raízes do Brasil”, a segregação social é uma característica da sociedade brasileira. No entanto, nota-se que a ausência de políticas públicas voltadas para a literacia familiar contribui para a problemática exposta pelo sociólogo, uma vez que, geralmente, a população de baixa renda não tem condições financeiras e pedagógicas de incentivar tal ato. Logo, pelo descaso do poder público com a comunidade carente, é evidente que os filhos dessas famílias não concorrerão de maneira justa no mercado de trabalho com os indivíduos de classes altas, dado que estes possuem condições para a promoção da educação fora da escola.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a incentivar a literacia familiar. Certamente, para que isso seja fomentado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, crie propostas governamentais que visem incentivar o letrado extracurricular. Isso será feito mediante a criação do projeto “Escola 360”, que consiste na abertura da escola 360 dias por ano, com o objetivo de incentivar aulas extraclasse, como educação financeira, teatro e esportes. Somente assim, chegar-se-á à realidade proposta pela ONU para 2030 e, por consequência, construir-se-á um Brasil mais homogêneo.