A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Em obras literárias que retratam a distopia dos governos ditatoriais, como “1984”, de George Orwell, pode-se observar que a restrição do acesso à informação constituiu-se importante ferramenta para a manipulação da população, e manutenção dos interesses autoritários. Dessa maneira, evidencia-se o ilustre papel da literatura para a formação de indivíduos críticos e pensantes, o que contrasta, porém, com os índices de brasileiros que praticam a leitura nos últimos anos, apenas 56%, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. Logo, alternativas viáveis para o combate desse mal, como a iniciação da literacia nas famílias, ainda em tenras idades, devem ser foco nos debates estatais, a fim de compreender sua importância e superar os obstáculos para a concretização de uma nação leitora.
Em primeiro lugar, em analogia aos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que inferem 29% da população brasileira como analfabetos funcionais, pode-se compreender que tais resultados interferem na capacidade de desenvolvimento da autonomia, senso crítico, e autoconhecimento dos indivíduos. Portanto, faz-se uma problemática para o exercício da cidadania, além de estagnar a evolução econômica brasileira, pois, “o que diferencia um país desenvolvido de uma nação em desenvolvimento são os dólares investidos na educação”, segundo Theodore Schultz, vencedor do Nobel de Economia de 1979.
Em sintonia com o exposto, o Governo Federal lançou o “Conta pra Mim”, em 2019, projeto que visa estimular a leitura em família, por meio de instruções na plataforma online criada. Contudo, é correto afirmar que os núcleos familiares restritos em uma realidade distante da tecnologia são aqueles que necessitam de mais amparo e apoio governamental, visto que se espera superar as desigualdades mediante a educação. Outrossim, além da importância socioeconômica, a leitura pode combater o distanciamento entre os indivíduos, e promover momentos de lazer e afeto nos lares, pontos esses que explicitam a urgência da formação de crianças leitoras, já que, ao contrário do pensamento recorrente, a família é a primeira instituição responsável pela alfabetização, e não a escola.
De acordo com os argumentos anteriores, recai sobre o governo a incumbência de investir na ampliação do alcance de seus projetos educativos já existentes, por meio da disponibilização de materiais impressos, como livros e gibis, gratuitos nas instituições públicas de ensino. Desse modo, junto ao Ministério da Educação e à Secretaria de Alfabetização, cabe ao Estado realizar projetos e campanhas midiáticas que estimulem a interação entre pais e professores, a fim de que os livros oferecidos adentrem os lares e cumpram seu papel. Ademais, a construção de bibliotecas públicas tornar-se-ia grande fator de estimulação da literacia familiar, além da formação de cidadãos leitores.