A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Muito se discute sobre a importância da literacia familiar no globo. Nessa lógica, em um mundo utópico, todas as famílias poderiam ambientar seus filhos ao mundo da literatura através do contato com livros e com cuidadores que desfrutam da capacidade da leitura. No Brasil, entretanto, o  alto índice de analfabetismo e a histórica desigualdade de acesso à educação são impeditivos para a ampliação da literacia familiar no território. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar os entraves que a leitura em família enfrenta no país.

Inicialmente, é importante verificar o principal impacto do ainda presente analfabetismo na inserção da literacia familiar no dia a dia do brasileiro. Nesse contexto, segundo o site de notícias UOL, 6,6% da população brasileira não sabe ler e escrever. À vista disso, milhões de crianças vivem sendo os únicos leitores de suas famílias e não possuem contato algum com livros para além de os usados em suas escolas. Desse modo, é lamentável que ainda hoje o Brasil possua índices tão altos de analfabetização que inviabilizam não apenas o hábito de ler em família, mas também o contato de crianças com diversos gêneros textuais.

Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito da histórica desigualdade educacional que assola o processo de leitura em família no Brasil. Nessa conjuntura, o filósofo Immanuel Kant defendia que o homem é aquilo que a educação faz dele. Sob essa perspectiva, indivíduos que tiveram melhores condições de educação, em geral, são mais familiarizados e seguros diante da leitura, enquanto os que aprenderam a ler de forma mais precária apresentam maior dificuldade no ato de interpretar palavras e no de ensinar seus filhos. Dessa forma, é absurdo como a  importante literacia familiar ocorre de forma desigual por conta da defasada habilidade de leitura que foi imposta a alguns cidadãos.

Nota-se, portanto, o quão danoso o alto índice de analfabetismo e a histórica desigualdade de acesso à educação são para a ampliação da literacia familiar no Brasil. Assim, cabe ao Governo Federal garantir que todas as famílias possam desfrutar da leitura em conjunto. Isso pode ser feito por meio da redução do número de analfabetos, ao promover campanhas televisivas que explicitem a importância do ato de ler e estimulem a busca pela alfabetização, e da oportunidade de melhorar a habilidade de leitura da população, ao criar projetos públicos com professores capacitados para complementar os déficits apresentados e que incentivem a leitura de diferentes gêneros textuais nas residências. Espera-se, dessa maneira, que o Brasil se aproxime do mundo utópico no qual a literacia familiar é uma prática comum a todos com responsáveis alfabetizados e seguros para compartilhar e incentivar a leitura de suas crianças.