A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/11/2020

Consoante o pensamento do ganhador do Prêmio Nobel James Heckman, o investimento na primeira infância é essencial para atenuar desigualdades sociais e índices de criminalidade. Apesar disso, a realidade das políticas públicas desenvolvidas no Brasil demonstra que há pouco interesse nessa área, visto que, pouco faz-se para incentivar a literacia familiar, prática capaz de fomentar a utilização da linguagem para o estímulo ao pensamento crítico, além de outros inúmeros benefícios. Com efeito, o descaso das famílias e a omissão governamental são os principais catalizadores da problemática e devem ser amplamente debatidos pelos brasileiros.

Em primeira análise, destaca-se o papel proeminente dos pais e familiares na formação do indivíduo que futuramente irá interagir com outros membros da sociedade, fazendo com que o resultado dessa interação defina os rumos da Nação. Nesse contexto, essa relação pode ser marcada por princípios arraigados à personalidade de cada pessoa, transmitidos essencialmente durante a infância, quando a capacidade de absorção de informações é maior. Segundo o pensador Émile Durkheim, “quando os costumes são suficientes, as leis são desnecessárias. Quando os costumes são insuficientes, é impossível fazer respeitar as leis” . Assim, as famílias podem ser responsáveis ativamente pela criação de uma sociedade mais fraterna, ou omissivamente pela perpetuação de problemas sociais atuais.

Em segunda análise, cabe observar que o papel do Estado não está sendo exercido com eficiência. Isso porque, uma de suas precípuas funções é lutar pela construção de uma sociedade mais livre, justa e solidária, constatando-se a insuficiência das famílias em proverem por si só o letramento, e consequentemente o desenvolvimento, deve-se estimular a criança na escola e incentivar os pais nas famílias, o que não acontece. A despeito disso, o físico Albert Einstein assenta: “a maior missão do Estado é a de proteger o indivíduo e de lhe oferecer a oportunidade de manifestar a sua personalidade criadora”. Consequentemente, o incentivo à literacia familiar possibilita a concretização do potencial adormecido em cada indivíduo.

Irrefutavelmente, portanto, a literacia familiar deve ser amplamente debatida e incentivada. Desse modo, cabe à mídia difundir os benefícios associados ao contato das crianças com a leitura e a escrita como o aumento da criatividade e da capacidade de expressão, por intermédio de comerciais televisivos, a fim de fomentar a prática no seio familiar. Ademais, os governos dos municípios devem enviar livros, indicados por especialistas, para a casa dos alunos periodicamente e simultaneamente propor aos pais que sejam participativos nesse processo, com o fito de construir uma sociedade mais próspera. Por fim, o investimento nessa etapa da vida será positivo em todas as outras fases.