A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 17/11/2020

Desde o século XVIII, com a corrente filosófica do Iluminismo, entende-se que o ser humano está em condições de tornar esse mundo um lugar melhor. Entretanto, quando se observam os desafios enfrentados para introduzir a literacia no ambiente familiar, verifica-se que essa é uma ideia constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, a insuficiência constitucional e os maus hábitos culturais corroboram esse impasse e a problemática segue inerente ligada à realidade das famílias do país, em especial as que vivem em condições de vulnerabilidade socioeconômica.

Efetivamente, muitas instituições sociais não se comprometem substancialmente com a necessidade de promoverem a literacia no ambiente familiar, mesmo que esse seja um dever da sociedade brasileira. Nesse âmbito, José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a despreocupação do Poder Público e da sociedade frente aos problemas sociais. Destarte, similarmente, as pessoas fecham os olhos para as causas e consequências da diminuição da literacia familiar nacional. Isso é intensificado devido à carência de políticas públicas que auxiliem o indivíduo sobre a importância da literacia no ambiente familiar, explicando-o que a leitura é fundamental para o enriquecimento pessoal e conscientizando-o acerca da introdução da leitura em seus hábitos culturais.

Outrossim, crianças que leem em casa chegam à escola com um vocabulário mais robusto , são mais sociáveis e criativas, de acordo com o Ministério da Educação. Isso evidencia a importância da leitura na infância como ajuda para o desempenho escolar da criança e do adolescente. Contudo, a incúria social vinculada ao deficit em investimentos na promoção de uma literacia familiar inserida nos hábitos culturais brasileiros, fomenta a perpetuação do impasse. Nesse contexto, o repasse de verbas para investir na literacia familiar, não são suficientes para atender a  demanda nacional, o que resulta na incapacidade de democratizá-la, principalmente em áreas periféricas de grandes centros urbanos.

Portanto, como visto acima, medidas devem ser efetivadas a fim de atenuarem os desafio enfrentados pela sociedade brasileira, para promoverem a literacia no ambiente familiar. Logo, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Estado ao seguirem o “Imperativo categórico” de Kant -no qual assegura que princípio da ética é agir de forma que essa ação seja uma prática universal-  por meio de verbas governamentais, adquiridas mediante empréstimos com o Banco Mundial , construírem bibliotecas públicas em periferias e grandes centros urbanos. Além disso, promoverem oficinas educativas nessas bibliotecas, com o auxílio de profissionais capacitados e pais, com o objetivo de incentivarem a leitura desde a infância no ambiente familiar. Dessa forma, o Brasil poderá garantir a filosofia iluminista e a síntese kanteana será consolidada.