A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 18/11/2020

O psiquiatra Augusto Cury, em seu livro ‘‘O homem mais feliz da história’’, fundamenta a importância da interação entre pais e filhos para a formação educacional e social das crianças. Nesse viés, a literacia familiar enquadra-se como um importante mecanismo na construção do caráter e da bagagem sociocultural das crianças no Brasil. Sendo assim, é imperativo debater sobre a formação do conhecimento das crianças antes dos 6 anos de idade e sobre a falta de projetos facilitando o acesso para materiais que auxiliem a interação entre pais e filhos, com a finalidade de  habituar tal prática.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar, de antemão, a relevância da literacia familiar para a preparação da criança antes do ambiente escolar. Isso é relevante pois, de acordo com o filósofo Jhon Locke, o indivíduo nasce desprovido de qualquer conhecimento, sendo destinado a adquirir o mesmo de acordo com o meio em que se vive. Por isso, o reconhecimento dos pais como primeiros professores de seus filhos estimula a construção de uma bagagem sociocultural para as crianças antes mesmo do contato com a escola, tendo em vista o raciocínio de Locke. Logo, já visto a importância da interação cultural entre pais e filhos, o Estado deverá promover políticas para concretizar o debate supracitado.

Em segundo lugar, diante do que foi exposto, um fator que interfere na literacia familiar é a dificuldade de famílias socioeconomicamente inferiores para obterem materiais didáticos para os seus filhos. Tal fator é explicado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da Modernidade Líquida, uma vez que fundamenta a sobreposição das relações econômicas sobre as sociais, consequentemente  prejudicando classes financeiras inferiores. Nessa conjuntura, perante a importância supracitada, tal problemática inibe a democratização do acesso ao conhecimento para crianças de periferias, pois não conseguem ter contato com o conhecimento antes de seu ingresso para escola, por conseguinte dificultará o seu aprendizado. Por isso, cabe ao Estado reverter tal quadro e democratizar tal benefício.

Portanto, perante ao que foi argumentado, certamente é notório a importância do contato entre pais e filhos para a sua preparação em um mundo competitivo, dessa forma o Estado deverá promover políticas para influenciar tal mecanismo social e democratizar o acesso para materiais educacionais infantis. A priori, o Ministério da Educação criará um projeto em rede nacional para influenciar a literacia familiar, por meio de cartazes e propagandas midiáticas, com a finalidade de espalhar a importância dos pais como primeiros professores. Ademais, o Ministério Público deverá construir bibliotecas em comunidades carentes, para que a população tenha acesso a materiais ricos em conhecimento cultural e didático para seus filhos. Por fim, com tais iniciativas, o projeto do MEC influenciará os pais a buscarem materiais para os filhos e consolidar a importância da interação, como dito por Augusto Cury.