A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
A adoção de práticas educativas voltadas para a população, no contexto brasileiro, teve início apenas no século XX. Nesse contexto, a sociedade predominante, ainda assim, era analfabeta e privada de exercer direitos fundamentais. No entanto, observa-se profundas modificações legais advindas da Constituição Federal de 1988, porém, não são plenamente efetivadas, dentre outros motivos, como consequências desse processo educacional tardio. Dessa maneira, cabe debater e implementar maneiras de superar tal ação, como a introdução da literacia familiar, de modo equitativo de acordo com as variáveis socioeducacionais.
Primeiramente, pode-se identificar graves lacunas do Governo Federal em relação à qualidade de ensino, com nítido hiato entre a rede privada e a rede pública. Prova disso reside nos dados apontados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que menciona a esfera privada no 5º lugar e a rede pública em 65º, dos 79 países avaliados. Logo, infere-se uma grave desigualdade social, que pode ser diminuída a partir da ressignificação de saberes e de diálogos.
Por conseguinte, para construir uma base social e crítica sólida é vital a mudança de práticas no seio familiar brasileiro. Dessa forma, a literacia pode ser conceituada como um conjunto de atitudes familiares, capazes de promover grandes mudanças estruturais com simples atitudes frequentes, tais como o ato de ler e de dialogar com os filhos. Assim, pode-se afirmar “Se a educação sozinha nao transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, conforme Paulo Freire. Nesse viés, é indispensável a participação dos pais e/ou responsáveis como sujeitos ativos no desenvolvimento cognitivo e cultural das crianças, com introdução desse processo de interação social na forma de política pública.
Fica claro, portanto, a necessidade de implantação da literacia no panorama público. Para isso, o Ministério da Educação, órgão federal responsável pela gestão de ensino, deve criar e ampliar como política pública a literacia, com parceria com a gestão municipal. Esse programa será introduzido nas escolas municipais, por meio de capacitação dos responsáveis legais realizadas pelos docentes, com o intuito de maximizar o nível informacional e equiparar, gradativamente, os parâmetros descritos no PISA.