A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
O conto brasileiro de Clarice Lispector, intitulado de “Felicidade Clandestina”, revela o drama da protagonista mirim em conseguir emprestado de sua amiga o livro “As reinações de Narizinhos”, por não ter condições de comprá-lo. Contudo, percebe-se fora da esfera literária, um irrisório estímulo para esse exercício da leitura no seio familiar, seja pelos desafios paternos de incentivar seus infantes, seja pelo descaso governamental de proporcionar requisitos básicos para efetivar essa prática. Logo, medidas são necessárias para instaurar o debate acerca da benéfica leitura em família.
Em primeira análise, convém ressaltar o influente papel das figuras genitoras sob a conduta dos filhos. Nessa óptica, é possível comprovar tal linha de pensamento por meio da tese “Tábula Rasa”, do filósofo contratualista John Locke, ao afirmar que o ser humano nasce como uma folha em branco e que seu conhecimento é obtido por meio das vivências. Dessa forma, se os pais não fomentam o produtivo hábito da literacia familiar, esse contingente infantil não conseguirá, sozinho, perpetuar o interesse pelos livros, e o debate sobre o tema supracitado será negligenciado. Assim, o crucial diálogo sobre o papel dos familiares nos primórdios da alfabetização é vantajoso para o despertar criativo e o desenvolvimento intelectual das crianças que possuem o apoio tanto em casa, quanto na escola.
Outrossim, a negligência do Poder Público em reverter os impasses da ausência da leitura regular além do perímetro escolar é fator que se impõe. Prova disso são os dados da pesquisa “Retrato da leitura no Brasil”, realizada em 2019, que expõem que aos brasileiros leem menos de 3 livros anuais, e o Estado pouco se esforça para mudar essa triste realidade presente nas casas da nação. Nesse viés, é preciso que os governantes apoiem projetos como o proposto pelo Banco Itau, chamado de “Leia para uma criança” em que há a distribuição de livros físicos e no formato audiovisual , de modo gratuito, mas observa-se que os representantes do povo estão longe desse ideal.
Destarte, é imperiosa a colaboração das corporações sociais para inserir o diálogo da leitura domiciliar. Portanto, compete ao ministério da Educação, órgão responsável pelo gerenciamento do ensino no País, criar campanhas de nível nacional por intermédio de “hashtags”, a fim de estimular os cidadãos a ler diariamente com as crianças. Esse movimento precisa ser exposto em sites oficiais do governo, e o desenvolvimento posterior às divulgações pode ocorrer com ajuda do corpo docente, em reuniões de pais e de mestres, em que os professores deverão auxiliar os pais como introduzir a literacia no eixo familiar. De fato, enlaces como o descrito por Clarice deixarão de representar as dificuldades de praticar a leitura no Brasil.