A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 20/11/2020
A obra “O grito”, de Edvard Munch, apresenta uma figura em completo desespero. De maneira análoga, tal situação de angústia também está presente na realidade do Brasil, visto que a falta de literacia familiar prejudica o desenvolvimento intelectual de crianças e jovens. A respeito disso, é notório que a falta de incentivo do Estado e a ausência da intervenção familiar na educação infantil colaboram para a problemática. Nesse sentido, é importante a discussão dos aspectos que assemelham a obra de Munch ao Brasil.
Cabe pontuar, em primeiro plano, que é previsto na Carta Magna de 1988 o acesso à educação como direito essencial do homem. Conquanto, ao se analisar a situação atual das instituições de ensino público, é indiscutível que a falta de qualidade de ensino fornecido nas instituições públicas não corresponde somente a precária estrutura das escolas, mas também, ao distanciamento do currículo estudantil da realidade dos jovens. Nessa perspectiva, a passividade dos governantes em relação a educação nacional impossibilita que milhões de jovens usufruam de uma boa educação e de uma boa formação acadêmica. Dessa forma, somando-se a pouca disponibilidade do Estado e o pouco preparo dos pais em relação a educação de seus filhos, os alunos ficam sem estrutura alguma.
Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além do que a educação faz dele”. Diante disso, a educação é a base na qual se estrutura a sociedade e, portanto, questões que envolvem esse eixo social merecem um olhar mais crítico de enfrentamento. Entretanto, não é o que ocorre de fato, uma vez que as famílias mais carentes minimizam os efeitos da falta de escolarização priorizando a necessidade de suas crianças ajudarem financeiramente em suas residências. Acerca disso, compreende-se que a atuação familiar no âmbito estudantil, tem diminuído notavelmente durante o período estudantil de crianças e jovens, o que pontua o baixo desenvolvimento educacional do Brasil e as altas taxas de evasão escolar.
Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para resolução do impasse. Sendo assim, o Estado deve investir em projetos que aproximem os alunos das matérias e desenvolver campanhas de conscientização aos pais e responsáveis. Isso pode ocorrer por meio de alterações no currículo estudantil, tornando-o mais atrativo para os alunos, afim de atingi-los por faixa etária, e também, reaproximar os pais do meio acadêmico, convocando-os para o acompanhamento de seus filhos em reuniões e fornecendo conteúdos para serem trabalhados em casa. Assim, “O grito” se tornará apenas uma obra vanguardista.