A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 15/12/2020

“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê.”. A frase de Monteiro Lobato aponta a importância da leitura para a comunicação e percepção. Nesse sentido, a literacia familiar, que é um conjunto de atividades de leitura, diálogo, interpretação e jogos para o desenvolvimento da linguagem, é fulcral para a educação infantil, porém há entraves como o baixo nível socioeconômico e o pouco incentivo do Estado.

A princípio, a condição social precária é uma dificuldade. Consoante a música “Como nossos pais”, de Belchior, “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Sob essa perspectiva, os progenitores atuais não realizam  a literacia familiar porque não a experienciaram junto a seus genitores. Isso explica a condição desses sujeitos, pois, de acordo com o secretário de alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim, as atividades educativas em família são determinantes do desempenho acadêmico da criança, o qual influirá no nível de remuneração. Tal conjuntura é comprovada pelos dados do pesquisador Sérgio Firpo, segundo os quais pessoas com nível superior ganham entre 5 e 7 vezes mais do que as que não possuem. Portanto, a falta dos exercícios  em debate limita a evolução cognitiva e, assim, perpetua o ciclo de pobreza pelas gerações.

Além disso, o Poder Público é falho na promoção dessa causa. Quanto a isso, há o projeto “Conta pra mim”, voltado aos menos favorecidos, que disponibilizou materiais no site do Ministério da Educação. Entretanto, o engajamento do público-alvo é ínfimo pela ausência de mecanismos de reforço da adesão. Ademais, em razão da vulnerabilidade social, muitas famílias não dispõem do acesso virtual aos conteúdos. Portanto, não obstante a relevância do programa do Governo Federal, é preciso aumentar sua abrangência para robustecer a efetividade.

Dado o exposto, é preciso superar os obstáculos à concretização da literacia familiar. Para tanto, o Ministério da Educação deve enviar materiais impressos da iniciativa “Conta pra mim” aos núcleos familiares beneficiáros do Bolsa Família, além de disponibilizar um número gratuito destinado a dúvidas e orientações sobre as atividades propostas, a fim de capacitar os pais para ensinar e os filhos a aprender. Desse modo, é possível fortalecer a formação dos indivíduos oriundos de classes carentes e romper o ciclo da pobreza.