A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 23/11/2020
“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o imbróglio da falta de literacia no ambiente familiar que afeta diretamente o seu desenvolvimento saudável e prejudica o desempenho escolar das crianças, sendo esse um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência da governamental, seja pela indiferença social.
A princípio é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que se preocupam com o hábito da leitura para o cidadão comum e esse problema se estende às crianças. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à educação plena para população. Decerto, isso se comprova na recente proposta de aumento de impostos sobre livros, o que privaria ainda mais as pessoas da leitura, principalmente as mais pobres.
Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, não entende os malefícios da falta de literacia na família. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado na quantidade de livros lidos pelos brasileiros por ano, que segundo o Instituto Brasileiro De Geografia e Estatística- IBGE, é de apenas 2 livros por ano. Essa falta de leitura gera um prejuízo social incalculável, pois pode ser a causa raiz de outros problemas como o analfabetismo funcional e por isso deve ser combatido.
Diante desse cenário, é mister que o Senado Nacional promova a literacia familiar, por meio da promulgação de leis que reduzam os preços dos livros e garanta o acesso gratuito a grandes obras literárias, a fim de estimular a leitura para todas as pessoas independentemente de renda, sendo isso necessário para garantir o direito pleno à educação garantido pela constituição. Além disso, palestras devem ser realizadas para a população sobre a importância da leitura em família, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.