A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 23/11/2020

O livro “Extraordinário”, escrito por R. J. Palacio, narra a história de Auggie Pulmman, um garoto que nasceu com deformidade facial e foi educado pela mãe até os 10 anos em casa. Diante disso, ao equiparar com o contexto nacional hodierno, nota-se a importância parental na educação dos indivíduos, sendo a literacia familiar - conjunto de práticas e experiências relacionadas com a leitura e escrita entre pais e filhos - estimulante para a alfabetização. Contudo, a passividade doméstica e a desigualdade social inibem a maximização desse hábito.

A princípio, ao averiguar o quadro supracitado, depreende-se que a passividade doméstica corrobora sua ampliação. Nesse viés, a Constituição Federal de 1988, topo do ordenamento jurídico brasileiro, garante que a educação é de responsabilidade compartilhada entre Estado e família. Entretanto, é fundamental destacar que uma parcela dos responsáveis pela educação das crianças mantém uma postura de inércia em relação ao cumprimento do dever legal, uma vez que se isentam do hábito de ler em detrimento das dependências capitalistas. Consequentemente, culmina a dificuldade na inserção do mercado de trabalho, posto que a falta da prática de interpretação dificulta uma comunicação eficiente.

Ademais, é de suma relevância evidenciar a desigualdade social como propulsora dos entraves que cercam a literacia familiar. Nessa perspectiva, em contrapartida da desinformação por negligência das pessoas que detêm recursos, há muitas famílias que estão à margem da sociedade no Brasil, de modo que os seus salários só permitem ter o mínimo para a sobrevivência, promovendo alienação, visto que não investem no crescimento cultural. Dessa forma, fomenta que somente 45% das crianças com renda até 1,5 mil reais são alfabetizadas, conforme pesquisa do Movimento Todos Pela Educação, isto é, figurando um quadro da criação de indivíduos ausentes de pensamentos críticos e vulneráveis socialmente.

Portanto, diante do exposto, intervenções capazes de efetivar a literacia familiar entre os tupiniquins são improrrogáveis. À vista disso, o Ministério da Educação (MEC), deve em conjunto das escolas, realizar campanhas de incentivo familiar, por meio de treinamentos semanais on-line com profissionais capacitados que instruam e incluam a família no hábito da leitura, a fim de cumprir plenamente a legislação. Outrossim, as ONGs sociais, aliadas à mídia, necessitam desenvolver projetos para inclusão das pessoas marginalizadas, através da doação de livros físicos e virtuais, bem como visitas mensais nas casas, orientando de forma lúdica os parentes, com efeito de executar no Brasil uma pedagogia que mitigue o contraste social.