A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 26/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras, como o baixo incentivo à leitura no âmbito familiar. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de valorização cultural entre a população brasileira, quanto da  influência das novas tecnologias na geração atual.

Em abordagem inicial, vê-se que a sociedade em geral, especialmente indivíduos mais jovens, não valorizam o patrimônio cultural brasileiro. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” Através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade nota-se que o fato das famílias, como instituição social, não incentivarem seus filhos à prática da leitura e busca por conhecimento cultural, corrobora para a formação de uma geração que detém pouco conhecimento de mundo. Assim, fica claro que há necessidade de maior participação familiar na formação cultural dos futuros cidadãos, fazendo com que desperte curiosidade e desejo pelo hábito da leitura de forma lúdica, sem que haja pressão sobre os jovens, tornandose uma prática recorrente na convivência familiar.

Além disso, a literacia familiar encontra impasses e dificuldades em virtude da  influência das novas tecnologias entre os mais jovens. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do sociólogo brasileiro Herbert José de Souza, o qual defendeu que um país não muda pela sua economia, política e nem mesmo pela ciência, mas transforma-se pela cultura. Na esteira dessa ideia, observa-se que o baixo avanço no desenvolvimento do país é também resultado de um desprezo pela cultura. Dessa forma, a geração atual trocou os livros por aparelhos tecnológicos inovadores, fazendo com que a busca por conhecimento digital aumente, em detrimento do aprendizado cultural e interesse por obras literárias.

Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem incentivar a prática da leitura no ambiente familiar. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, a elaboração de campanhas educativas que abordem acerca da importância do hábito da leitura e de que forma tal prática agrega conhecimento em diversos aspectos. Simultaneamente, tais ações devem ser realizadas com o apoio da mídia,  por meio da divulgação das propagandas nos diversos veículos de comunicação (televisão, jornais, revistas), com o intuito de conscientizar os mais jovens sobre a importância da prática literária. Feitas essas ações, espera-se um futuro promissor no âmbito da linguagem, leitura e escrita no cotidiano entre pais e filhos.