A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 19/02/2021

A Constituição Federal, promulgada pela Assembleia Constituinte em 1988, assegura a todos os indivíduos o direito ao acesso à educação. Entretanto, a negligência de políticas públicas voltadas para instigar a participação familiar na formação educacional, bem como o despreparo no âmbito familiar para lidar com as habilidades cognitivas das crianças são desafios para o progresso da educação de qualidade no Brasil.

É relevante analisar, primeiramente, as causas que perduram na realidade brasileira acerca da literacia familiar aplicada no dia a dia, na convivência entre pais e filhos. Nesse sentido, a desvalorização atribuída ao ensino básico é perceptível na falta de acesso de grande parte da população ao sistema educacional, na desigualdade social, na falta de estrutura e na concepção atrasada de educação, em que o professor deve transmitir o conhecimento ao aluno ao invés de guiá-lo para construir o conhecimento por si só. Para tanto, conforme à ideologia aplicada pelo educador Paulo Freire em sua obra, “Pedagogia da Autonomia”, o modelo de educação bancária no país corrompe o desenvolvimento de habilidades do aluno, necessitando mudanças na responsabilidade do Estado em fornecer o bem-estar coletivo e, assim, os cidadãos são capazes de superarem os obstáculos de classe por meio da educação.

Ademais, é considerável a importância da participação das famílias no processo de aprendizagem. Dessa forma, a literacia familiar busca trazer o hábito da leitura e de outras atividades afins com o objetivo de estimular, sobretudo na Primeira Infância, as habilidades sociointeracionais, como a empatia e a comunicação, além de melhorar o desempenho acadêmico. No entanto, a fuga da responsabilidade parental sobre as participações nesse processo são prejudiciais ao aluno, em que a família atribui obrigações somente à escola. Sendo assim, como proferiu o sociólogo Émile Durkheim, a família é responsável pela socialização primária por formar a base do indíviduo, enquanto a escola é um mecanismo de socialização secundário capaz de impor submundos desconhecidos, com isso, a inter-relação aprofunda os conhecimentos para o desenvolvimento do senso crítico.

Em suma, é notório que a questão educacional no país é um problema crônico, representando um atentado ao que é prescrito constitucionalmente. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover nas escolas de ensino fundamental momentos dinâmicos de aprendizagem, como feiras e oficinas de leitura pública aliado à comunicação constante com as famílias, por meio de palestras e de debates periodicamente, a fim de instigar a participação familiar no processo de desenvolvimento da criança e alcançar o objetivo de melhoria na educação de forma democrática e coesa.