A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 08/01/2021

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que a importância da literacia familiar que está em debate no Brasil atualmente configura-se em um obstáculo a ser superado para muitas famílias pobres do país. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado pelo ex-presidente Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso do incentivo a literacia familiar em famílias mais carentes do Brasil. A título de exemplificação, nota-se que em comunidades carentes brasileiras a taxa de leitura entre crianças é baixa devido a falta de acesso a livros e também a outras preocupações dos pais, como as contas a serem pagas. Tal descaso reflete no baixo índice de literacia familiar em comunidades carentes, já que, segundo o G1.com, as crianças que vivem em regiões pobres do país, normalmente, não possuem nenhum acesso a bibliotecas e internet nem mesmo em suas escolas, assim não dispõem de acesso a livros para leitura com a família.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a importância da literacia no âmbito familiar. Dessa forma, é evidente que a problemática da leitura sendo incentivada em casa, principalmente, em famílias mais vulneráveis, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual precisa ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como o aumento do abismo entre a educação das classes altas e médias em comparação com a classe baixa, tornem-se esquecidas das prioridades a serem solucionadas no país.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - responsável pelas políticas de ensino no país -, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, disponibilizar gestores especializados para cada região carente para ver a necessidade de distribuição de livros e incentivo a literacia familiar, construindo bibliotecas e disponibilizando computadores e platoformas digitais para inclusão de crianças ao hábito da leitura, visando assim melhorar o imbróglio. Outrossim, a mídia, mediante notícias, deve exibir a importância de criar a prática da leitura em casa em rádios, TV e internet. Logo, a população ficará informada.